No dia da Terra, um pouco de realismo

Os ambientalistas são, por norma e por defeito de formação, otimistas. Acreditar num futuro melhor está-nos nos genes. É por ele que lutamos, cada um à sua maneira.

Mas esse paraíso terrestre é uma utopia. O futuro não nos trará melhores dias. Só podemos acreditar que sim se fecharmos os olhos e virarmos a cara para o lado.

O otimismo faria sentido em 1854 quando Thoreau escreveu Walden, em 1866 quando Ernst Haeckel definiu a palavra “ecologia“, em 1949 quando Aldo Leopold escreveu o Sand County Almanac e, talvez até, em 1987 quando Gro Brundtland definiu O Nosso Futuro Comum. De então para cá, apesar da tomada de consciência coletiva acerca da problemática ambiental, tudo tem vindo a piorar. Nenhuma medida séria nos afastou da catástrofe a que nos dirigimos.

Houve um tempo para agir. O aquecimento global poderia ter sido evitado. A ameaça nuclear poderia ter sido minimizada. Os combustíveis fósseis poderiam ter alternativas. A quebra de biodiversidade poderia ter sido travada. As gerações futuras poderiam ter um futuro.

O tempo passou. É uma utopia pensar que os países desenvolvidos vão largar o petróleo ou proteger as espécies em extinção quando isso implica um “retrocesso civilizacional” que não estão dispostos a dar. É uma ilusão acreditar que os países em desenvolvimento não farão tudo para atingir o patamar dos países desenvolvidos, independentemente do custo ambiental que essa mudança acarrete.

A verborreia legislativa que os países ocidentais têm vindo a debitar nos últimos anos, tem sido contornada sempre que a natureza se atravessa no caminho do progresso.  As boas intenções são manifestamente insuficientes. A cultura ambiental é um imperativo que tarda em chegar àqueles que detêm o poder de decisão.

Quando, finalmente, o futuro nos bater à porta, obrigando-nos a agir, será demasiado tarde.

Um dia, quando metade do planeta se tornar inabitável, quando a metade restante se entreter a lutar pelos pouco recursos que nos restam, não poderemos, então, escolher agir: estaremos demasiado ocupados a tentar sobreviver.

Fotografia de Christopher Craig

Fotografia de Christopher Craig