Grand Budapest Hotel

Não sou um cinéfilo. Aprecio um bom blockbuster e alguns filmes de temáticas mais ou menos geeks. Mas gosto de ser surpreendido. E sei reconhecer um bom filme quando o vejo.

The Grand Budapest Hotel

The Grand Budapest Hotel

The Grand Budapest Hotel começa com o formato “uma história dentro de uma história”, mas sem chegar a tornar-se confuso. Na cena inicial, uma jovem visita o memorial a um escritor levando consigo um livro cor de rosa. De seguida somos transportados para uma memória do dito autor (primeiro narrador), onde este nos revela o encontro que teve com o velho Sr. Zero Mustapha (segundo narrador) e da história que este lhe contou.

Na sua juventude o jovem Zero emprega-se como paquete no Grand Budapest e aí trava conhecimento com o curioso Sr. Gustave H, gerente do estabelecimento. Depois de uma série de peripécias, O Sr. H é preso, acusado de assassinar uma “cliente”. Entretanto, a república fictícia onde decorre o enredo é invadida por um regime fascista (que seriam nazis, não fossem também eles de um qualquer país fictício).

Sr. H e o jovem Zero

Sr. H e o jovem Zero

A ideia com que fico, porém, é que tanto a guerra como a história em si são apenas cenários e pretextos. A verdadeira mestria deste filme está nas personagens (e nos atores escolhidos a dedo) e na realização perfeita.

Embora se trate de uma comédia, The Grande Budapest Hotel extravasa, em muito, esse rótulo. É certo que há cenas e diálogos memoráveis, de um humor antigo, requintado, já quase desaparecido da sétima arte. Mas há mais que isso: um omnipresente sentimento de nostalgia, uma humanidade e sensibilidade nas personagens que, inevitavelmente nos transporta para um tempo em que “as coisas” tinham outro valor.

Muito me admirarei se não tivermos aqui um sério candidato aos óscares.

Um filme de Wes Anderson, com Ralph Fiennes, Jeff Goldblum, Willem Dafoe, Edward Norton, Adrien Brody, Mathieu Amalric, Harvey Keitel, Jude Law, Léa Seydoux, Tilda Swinton, Bill Murray, Saoirse Ronan e Tony Revolori.

Caminhar e admirar a Natureza

Na nossa região, com diferença de poucas dezenas de quilómetros, podemos escolher percorrer ecossistemas que vão da aridez das dunas litorais e das serras calcárias às sombras amenas das galerias ripícolas que rodeiam os nossos rios e ribeiras. É certo que habitamos uma área muito humanizada, seja pela urbanização, pela agricultura ou pela proliferação dos eucaliptos mas, apesar de tudo, na sua próxima caminhada, não se limite a olhar. Esteja atento. Repare como a diferentes geologias corresponde uma vegetação diferente. Tome nota do que vai observando. Fotografe! Olhe agora para os insetos. Não, não se limite a olhar. Repare com atenção. Não são apenas “moscas”, “vespas e abelhas” ou “só borboletas”. Na nossa região há largas dezenas de belíssimas espécies de cada um destes grupos, algumas das quais são raras! É todo um mundo à espera que o descubram. Na sua próxima caminhada faça um safari fotográfico. Não desanime se a sua primeira borboleta voar para longe. Volte a tentar quando encontrar outra. Insista. Seja persistente. Não se limite a andar: envolva-se com a natureza. Porquê? Porque é preciso conhecê-la para aprender a amá-la. E é preciso amá-la para desejar protegê-la.

Este texto foi originalmente publicado no Guia dos Percursos Pedestres e de BTT, lançado com o Região de Leiria de 18 de Setembro de 2014