Outono dos pequeninos

Há aquele famoso outono das vastas paisagens multicolores, das folhas pintadas de vermelho e ouro: é o outono dos grandes. Há, porém, outro outono, uma estação mais secreta e reservada, o outono dos musgos, dos silêncios e das gotas de chuva, dos líquenes e dos cogumelos. Um outono com cheiro a mofo e a antigo. Um outono dos pequeninos.

Fotografias tiradas no vale da Ribeira de São Pedro, Marinha Grande.

Grand Budapest Hotel

Não sou um cinéfilo. Aprecio um bom blockbuster e alguns filmes de temáticas mais ou menos geeks. Mas gosto de ser surpreendido. E sei reconhecer um bom filme quando o vejo.

The Grand Budapest Hotel

The Grand Budapest Hotel

The Grand Budapest Hotel começa com o formato “uma história dentro de uma história”, mas sem chegar a tornar-se confuso. Na cena inicial, uma jovem visita o memorial a um escritor levando consigo um livro cor de rosa. De seguida somos transportados para uma memória do dito autor (primeiro narrador), onde este nos revela o encontro que teve com o velho Sr. Zero Mustapha (segundo narrador) e da história que este lhe contou.

Na sua juventude o jovem Zero emprega-se como paquete no Grand Budapest e aí trava conhecimento com o curioso Sr. Gustave H, gerente do estabelecimento. Depois de uma série de peripécias, O Sr. H é preso, acusado de assassinar uma “cliente”. Entretanto, a república fictícia onde decorre o enredo é invadida por um regime fascista (que seriam nazis, não fossem também eles de um qualquer país fictício).

Sr. H e o jovem Zero

Sr. H e o jovem Zero

A ideia com que fico, porém, é que tanto a guerra como a história em si são apenas cenários e pretextos. A verdadeira mestria deste filme está nas personagens (e nos atores escolhidos a dedo) e na realização perfeita.

Embora se trate de uma comédia, The Grande Budapest Hotel extravasa, em muito, esse rótulo. É certo que há cenas e diálogos memoráveis, de um humor antigo, requintado, já quase desaparecido da sétima arte. Mas há mais que isso: um omnipresente sentimento de nostalgia, uma humanidade e sensibilidade nas personagens que, inevitavelmente nos transporta para um tempo em que “as coisas” tinham outro valor.

Muito me admirarei se não tivermos aqui um sério candidato aos óscares.

Um filme de Wes Anderson, com Ralph Fiennes, Jeff Goldblum, Willem Dafoe, Edward Norton, Adrien Brody, Mathieu Amalric, Harvey Keitel, Jude Law, Léa Seydoux, Tilda Swinton, Bill Murray, Saoirse Ronan e Tony Revolori.