Caminhar e admirar a Natureza

Na nossa região, com diferença de poucas dezenas de quilómetros, podemos escolher percorrer ecossistemas que vão da aridez das dunas litorais e das serras calcárias às sombras amenas das galerias ripícolas que rodeiam os nossos rios e ribeiras. É certo que habitamos uma área muito humanizada, seja pela urbanização, pela agricultura ou pela proliferação dos eucaliptos mas, apesar de tudo, na sua próxima caminhada, não se limite a olhar. Esteja atento. Repare como a diferentes geologias corresponde uma vegetação diferente. Tome nota do que vai observando. Fotografe! Olhe agora para os insetos. Não, não se limite a olhar. Repare com atenção. Não são apenas “moscas”, “vespas e abelhas” ou “só borboletas”. Na nossa região há largas dezenas de belíssimas espécies de cada um destes grupos, algumas das quais são raras! É todo um mundo à espera que o descubram. Na sua próxima caminhada faça um safari fotográfico. Não desanime se a sua primeira borboleta voar para longe. Volte a tentar quando encontrar outra. Insista. Seja persistente. Não se limite a andar: envolva-se com a natureza. Porquê? Porque é preciso conhecê-la para aprender a amá-la. E é preciso amá-la para desejar protegê-la.

Este texto foi originalmente publicado no Guia dos Percursos Pedestres e de BTT, lançado com o Região de Leiria de 18 de Setembro de 2014

Ubik – Entre 2 Mundos

Ubik Que me perdoem os meus amigos admiradores de Philip K. Dick (e são muitos): eu bem me esforço, mas não consigo gostar! Não é a primeira vez que leio PKD e, tal como em leituras anteriores, dou por mim a fazer um esforço para não largar o livro a um canto e esquecê-lo. De vez. Em minha defesa só posso afirmar que o defeito será meu, certamente!

A história começa por me agradar bastante. A visão do futuro que Dick nos revela é brilhante, simultaneamente aterradora, humorística e irrepreensível! Claro que o poderia acusar de  ter falhado “a profecia” uma vez que a história de Ubik ocorre em 1992, ou seja, num futuro distante para o autor (que a publicou em 1969), mas um passado já remoto para mim (que a li em 2014).

Nesse longínquo ano de 1992, a humanidade terá afastado a morte das suas preocupações imediatas. Na iminência de um falecimento, as pessoas seriam colocadas num estado de suspensão, refrigeradas em “meia-vida” por muitos e longos anos. A comunicação com os meio-viventes implica uma ligeira reanimação que reduz, gradualmente, o seu tempo de meia-vida, mas  pode garantir uma despedida sem traumas por parte dos seus entes queridos.

Nesta sociedade extremamente tecnológica, em que os eletrodomésticos solicitam uma moeda para funcionar e as portas de casa exigem um pagamento para abrir, duas empresas rivais lidam com a questão dos poderes “parapsicológicos”. De um lado a companhia de Hollis que contrata os indivíduos com estas capacidades (telepatas, precogs) para fazer “espionagem industrial” e, do outro lado, Runciter, cujos funcionários têm a capacidade de bloquear os “poderes” do primeiro grupo.

É quando a companhia de Runciter é contratada para um trabalho na Lua que o enredo se começa, efetivamente, a desenrolar. Da minha parte, daí em diante é sempre a descer. Um sem-fim de situações sem nexo, embrulhadas sem sentido, desinteressantes e muito para além da minha compreensão. Lamentável, uma vez que a descrição do ambiente futurista é sublime, como é habito no autor que nos trouxe, relembro, Do Androids Dream of Electric Sheep? mais conhecido com o título do filme, Blade Runner.

Como referi anteriormente, reconheço que o defeito será meu. Basta ler os comentários e as avaliações no Goodreads para o perceber.

Nota: a imagem que ilustra este post é de uma edição britânica de 1973. A edição portuguesa (Presença, 2003) é inexplicavelmente feia.