O último capítulo de uma saga é sempre o mais difícil. Há repostas que têm que ser dadas, narrativas que precisam ser concluídas, sem esquecer de acrescentar algo de novo que satisfaça aqueles que esperam ser surpreendidos. Se estamos a falar da saga da família Skywalker no Star Wars, com toda a legião de fãs que a segue há mais de 40 anos, então o nível a superar é praticamente intransponível.

Será que A Ascensão de Skywalker, o nono e último filme da saga Skywalker conseguiu atingir as expetativas?

As análises internéticas dividem-se, mas há uma legião de críticos que aponta o dedo quer ao desenrolar da história (demasiado confusa, dizem), quer ao excesso de fan service (cenas para satisfação dos fãs que não acrescentam nada de novo).

De um modo geral, discordo destas acusações. A história pareceu-me bastante escorreita e linear, bem contada. O fan service, que efetivamente existe, foi na medida certa.

Há spoilers adiante.

Pessoalmente, vejo-me a torcer o nariz às cenas que envolvem a Rey e o Kylo Ren quando estão ligados “à distância”, falando e lutando entre si quando não estão juntos. Parece-me uma ideia demasiado rebuscada. Já vem dos filmes anteriores, bem sei, mas neste atingiu um nível superior de disparate. Dispensava essa parte.

Outra novidade é a capacidade dos Jedi utilizarem a força para curar. Nunca, ao longo dos 8 filmes anteriores, algum deles mostrou essa capacidade e agora, subitamente, todos parecem saber fazê-lo. (Quem segue o Mandaloriano na TV não se terá surpreendido: o baby Yoda foi o primeiro a fazê-lo.)

Relativamente ao fan service, gostei de tudo o que vi. Nos Últimos Jedi, há uma cena icónica em que a Rey entrega o sabre de luz ao Luke e este deita-o fora de forma displicente. Na altura, a legião de fãs internéticos mostrou o seu desagrado, afirmando que não era forma de um Mestre Jedi tratar um sabre de luz. No novo filme é a Rey quem tenta desfazer-se de um sabre de luz, atirando-o ao fogo quando o espírito do Luke sai das chamas empunhando-o e afirmando que “não é forma de tratar um sabre de luz”. Delicioso fan service.

Não me surpreendeu descobrir a origem de Rey. Sempre foi um mistério pendente e a filiação das personagens principais é um plot twist típico de Star Wars desde a primeira trilogia. A verdadeira surpresa foi há 40 anos, quando descobrimos quem era o pai do Luke. Desta vez, a revelação, foi trivial.

Lamentavelmente, sente-se a falta da Carrie Fisher nalgumas cenas. De um modo geral conseguiram dar a volta à questão, mas há um momento ou outro em que a Leia deveria estar mais presente do que esteve. RIP.

Há um momento em que a Rey ouve os Jedis do passado, reafirmando-lhe que todos estão com ela. Um bonito fan service em que não são esquecidos alguns atores que já deixaram a saga há bastante tempo e outros que apenas entraram na animação The Clone Wars.

O fan service de maior justiça, porém, é a entrega da medalha ao Chewbacca. No final do episódio 4, Uma Nova Esperança, a Princesa Leia oferece uma medalha ao Luke e ao Han Solo. Apesar do Chewbacca os acompanhar, fica a olhar para o boneco, numa cena de tremenda injustiça que roça o especismo galáctico.

Quarenta e três anos depois, a última ação da Princesa foi remediar esta falha incompreensível. Já era tempo.

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