O pelourinho da Redinha terá sido erguido após o foral manuelino atribuído à povoação em 1513. Está classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1933.

O monumento é constituído por uma escada de 5 degraus octogonais, toscos, nos quais se apoia a coluna. Esta, também grosseiramente oitavada a partir de uma coluna originalmente quadrangular, suporta um prisma com ornamentos da Ordem de Cristo, de D. Manuel, da esfera armilar e de um escudo (provavelmente régio).

Embora situado no atual Largo de São Francisco, no adro da igreja com o mesmo nome, o pelourinho da Redinha não servia qualquer função religiosa e é quase 350 anos mais antigo que a referida igreja.

Pelourinho da Redinha e Igreja de São Francisco
Pelourinho da Redinha e Igreja de São Francisco

Geralmente localizados em frente aos edifícios da câmara, os pelourinhos medievais serviam dois propósitos essenciais: distinguiam as povoações que os possuíam com determinados privilégios de autonomia e, de um ponto de vista mais prático, eram os locais onde os delinquentes eram presos, chicoteados ou mutilados, consoante a gravidade do delito praticado.

Desta forma, o foral atribuído às povoações era, tantas vezes, acompanhado da construção de um pelourinho, símbolo físico da importância da terra e da aplicação da justiça. A partir do século XIX os pelourinhos começaram a ser encarados como meros instrumentos de tortura medieval e foram sendo progressivamente esquecidos, ou mesmo destruídos.

O foral manuelino da Redinha vem confirmar um outro, mais antigo, atribuído por Gualdim Pais em 1159.

Foral da Redinha por Gualdim Pais

Em nome da Santa e Indivisível Trindade. Eu, Mestre Gualdino, juntamente com a Assembleia de nossos Irmãos do Templo concedemos Carta de Foral aos habitantes de Redinha atuais e vindouros que as populações devem conservar como direito perpétuo.

De todo o trabalho que fizerem devem dar a décima parte fielmente ao senhor. Por cada eirada uma taleiga de trigo. Pela servidão uma fogaça de dois alqueires de trigo e um capão. O clérigo faça igualmente foro da sua herança. Se alguém quiser vender a sua herança venda ao seu vizinho por meio de contrato tal que dê o foro inteiro ao seu dono. A nenhum redinhense seja lícito dar a herança a alguém ou fazer testamento a não ser à Nossa Igreja ou aos Templários de tal maneira que o senhor não perca o casal nem o foro. O trabalhador não pague foro de montaria. O monteiro que permanecer no monte durante uma noite ou mais dê um coelho com a pele ou então não dê nada. E de toda a caçada dê o lombo das costas. O apicultor dê meia libra (cerca de seis onças) de cera.

Não haja entre vós calúnia, homicídio ou porcaria na boca, casa arrombada por meio de armas, se alguém arrombar portas ou entrar pela força em casa alheia seja castigado fortemente assim como pelo furto. Todas estas faltas sejam castigadas na praça pública. Se alguém fizer algo de mal a outrem satisfaça-lhe na presença da justiça. Esta tenha a devida honra e a sua decisão seja firme.

Dada em junho de 1197 (da era de César ou seja 1159 da era cristã). Eu, Mestre Gualdim juntamente com os meus irmãos mandamos fazer esta carta de foral e com os próprios punhos a consolidamos. Se alguém, na verdade ousar violar este foral seja maldito.

  • Localização: Largo de São Franscisco, Redinha, Pombal (40.004619° -8.584991°)
  • Proprietário: Público – Estatal
  • Construção: século XVI
  • Estilo: –
  • Arquiteto: –
  • Classificação: Imóvel de Interesse Público (desde 1933)

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