Aqui fica, desde já, o inevitável alerta: haverá spoilers.

A história de Westeros contada na esfera armilar

É uma presença discreta, desde o primeiro segundo do primeiro episódio, da primeira temporada. A sua presença constante acaba por levar a uma familiaridade tal que já nem damos pela sua presença. Mas ela está lá.

Durante o genérico inicial, somos levados numa viagem aérea pelo mapa onde se desenrola a ação de cada episódio. Nem sempre corresponde de forma muito precisa aos locais mas, de um modo geral acerta. E acho que todos já perceberam isso há muito. Certo?

Pairando acima do mapa, no entanto, há uns círculos metalizados rodopiantes, com umas imagens gravadas, desaparecem e voltam a aparecer a rodopiar antes de desaparecer novamente. Sabemos, pela visita do Sam à cidadela, que é lá, na grande biblioteca, que o objeto rodopiante, uma esfera armilar, se encontra.

Grande Biblioteca na Cidadela

Já olharam, com o olhos de ver, para as figuras ali gravadas? Aperceberam-se que as figuras se mantiveram constantes ao longo das sete primeiras temporadas de GoT e foram alteradas apenas nesta última temporada? Vale a pena olhar em maior detalhe.

A primeira gravura representa a Perdição de Valíria. Um grande cataclismo de origem vulcânica destruiu a cidade dos cavaleiros dos dragões. O grande dragão à direita talvez represente os Targaryen, única família valiriana que se salvou da destruição.

A Perdição de Valíria

Na segunda imagem vemos um dragão caído por terra, atacado por um lobo, um leão e um veado: uma representação da Rebelião de Robert Baratheon que pôs fim à dinastia Targaryen em Westeros.

A Rebelião de Robert

Na terceira, e última imagem, encontramos uma série de animais a demonstrar submissão ao veado. A realidade de Game of Thrones quando a série estreou: Robert Baratheon como rei e as outras casas como vassalos.

E, durante 67 episódios, o mapa lá ia mudando ao sabor das viagens das personagens, mas as gravuras da esfera armilar mantinham-se fixas.

Na temporada 8, surgiram novas gravuras. Talvez porque os acontecimentos recentes na história de Westeros lhes justifiquem uma atualização? Vamos lá interpretá-las.

A primeira parece fácil. Um dragão com um aspeto esquelético lança chamas contra uma muralha. Um retrato da queda da muralha recorrendo ao dragão capturado pelo Rei da Noite. Por baixo, um exército aguarda.

Qualquer pessoa que siga a série com o mínimo de atenção reconhece a cena macabra do casamento vermelho. Um leão, à esquerda, com um peixe na boca representa os Lannister a destruir a família Tully. À direita um homem esfolado segura uma cabeça de lobo (os Bolton e os Stark). Ao centro um lobo cravejado de setas (Robb Stark). Tudo isto, num cenário de duas torres um rio: a casa dos Frey.

A terceira e última gravura é mais enigmática e difícil de interpretar. À direita, um dragão gigante. À frente deste, três dragões menores. No céu parece haver um cometa e, cá em baixo, o que a mim me parecem ser vacas a pastar (mas talvez não sejam). Um dos dragões pequenos parece estar a incendiar os campos.

Será que o dragão gigante é uma representação do ressurgimento da casa Targaryen (a Daenerys) e os pequenos são os seus três dragões? Está-me a escapar alguma coisa?

Mas, porque raio aparecem estes três acontecimentos em ordem inversa? Na primeira as gravuras surgiam de acordo com a cronologia dos eventos. Porque está agora o tempo a andar para trás?

Aqui ficam os dois vídeos, para que possam analisar os detalhes em maior pormenor. (Já sabem que os mapas mudam de episódio para episódio, foquem a atenção nos anéis da esfera armilar.)

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