Há uma razão por trás do meu silêncio em relação ao Pinhal do Rei e julgo que não estarei sozinho nos meus motivos. Há uma tristeza e um desânimo que se foram instalando depois da tragédia de 15 de outubro. Este estado de espírito não se deve tanto há nossa perda mas, lamentavelmente, ao preocupante rumo que vamos tomando.

Em jeito de resumo, para aqueles que não têm seguido o que por aqui se passa, aqui vos deixo alguns tópicos do que se passou nos últimos seis meses.

Outubro

Novembro

  • no dia 2 a comissão de defesa popular O Pinhal É Nosso organiza um fórum para debater o futuro do Pinhal do Rei.
  • a 15 de novembro, na passagem do primeiro mês, o ministério da agricultura garante que “o Pinhal de Leiria deverá manter uma gestão totalmente pública“. São dadas garantias de que a preparação do plano de reflorestação está em curso, estando concluído em março de 2018. A elaboração deste plano estará aberta à participação da sociedade civil. A receita proveniente da madeira queimada será aplicada no processo de reflorestação.
  • no final de novembro, o secretário de estado das florestas anuncia a criação de parques de madeira para conservar a madeira queimada, sendo a sua venda faseada ao longo dos próximos três anos. O governo compromete-se a apresentar o plano para o futuro do Pinhal do Rei em quatro meses (final de março) e a intervir urgentemente na proteção das linhas de água, no prazo de uma semana (inicio de dezembro). O município francês de Fontenay-sous-Bois oferece 50.000 árvores para ajudar a reflorestação.
  • Aga Khan doa 100 mil euros para ajudar a recuperação do Pinhal do Rei.

Dezembro

Janeiro

Fevereiro

Março

  • clubes rotários plantam 50 mil árvores no Pinhal.
  • a 25 de março a iniciativa “O Pinhal é a nossa Bandeira” plantou 67.500 pinheiros no talhão 256.
  • a iniciativa “Nação Valente” apresenta a proposta de criar zonas agrícolas na área do pinhal com zonas de cultura irrigadas.
  • publicado o relatório da comissão técnica independente que, avaliando os incêndio ocorridos entre 14 e 15 de outubro, refere que “o caso da Mata Nacional de Leiria com gestão diretamente assegurada pelo Estado, seria impensável uma destruição como a que se conheceu em outubro. A suborçamentação do ICNF e a sua desarticulação interna são naturalmente os responsáveis diretos desta situação, embora se deva reconhecer que as políticas públicas dos últimos quinze anos, de introdução de reformas de contornos questionáveis (sem suporte em avaliações de funcionamento) e de restrições orçamentais terão conduzido a esta situação.”

Abril

Desânimo.

Seis meses volvidos, parece que continua tudo por fazer. As ações das entidades oficiais, responsáveis pela gestão e recuperação deste espaço, parecem não ter um fio condutor. Realizam-se plantações quando as árvores ardidas continuam de pé, ali ao lado, a apodrecer e a desvalorizar de dia para dia. Anuncia-se a elaboração de planos que tardam em chegar, mas as ações mediáticas sucedem-se, dando uma falsa aparência de atividade e dinamismo que não me parece corresponder à realidade no terreno.

A única ação urgente foi a intervenção na Ribeira de Moel: tardia e manifestamente insuficiente. Há quilómetros de área ardida ao longo da Ribeira. Qual a extensão desta ação?

As intervenção da comissão popular O Pinhal É Nosso são as únicas que parecem preocupar-se com as necessidades mais urgentes da Mata Nacional, nomeadamente o controlo de invasoras. Os organismos oficiais parecem ignorar este aspeto como se fosse irrelevante ou, pior, aproveitam-se do trabalho dos voluntários para daí lavar as suas mãos.

O Pinhal do Rei continua à espera de um futuro melhor, que parece mais distante a cada dia que passa.

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