Vatur – o continente escondido, é um livrinho despretensioso e de leitura agradável. Na verdade, acho que deve ser classificado como literatura juvenil. A minha única desculpa foi não saber exatamente do que se tratava quando lhe peguei.

Vatur - o continente escondido

Estereótipos para que vos quero

Vamos começar pela constituição do grupo de aventureiros (porque há um grupo de aventureiros): temos um cientista solitário, o sobrinho do cientista, o melhor amigo do sobrinho (este é o líder do grupo), a rapariga que tem uma paixão secreta pelo líder (e vice-versa), o gordinho e o negro. Cada um dos personagens desempenha o papel que se espera deles e nem precisamos ler o livro para sabermos como se irão comportar.

Segredo escondido com o rabo de fora

A aventura inicia-se quando o cientista descobre uma porta plásmica que lhe permite passar para um local diferente, habitado por estranhas criaturas, um mundo muito distinto do nosso. Será num outro planeta? Um universo paralelo? O que poderia ser o grande enigma desta história, tem resposta no título do livro: trata-se de um “continente escondido”, algures na terra. Levanta-se a hipótese de que se poderá tratar da Atlântida, mas o autor optou por não desenvolver muito essa possibilidade, deixando a questão em aberto.

Depois do desaparecimento do cientista, o grupo de amigos constitui uma equipa de resgate e entra em Vatur com o propósito de o salvar. Encontram-no com relativa facilidade mas, percebem então, terão que ficar algum tempo em Vatur para restaurar a paz e o equilíbrio deste continente. Acabam por consegui-lo depois de uma série de peripécias mais ou menos banais e que, convenhamos, são ultrapassadas com uma facilidade que me parece anticlimática.

Não são eles, no entanto, os primeiros “terráqueos” a lutar pela paz em Vatur. Há cerca de quatro séculos foram socorridos por um outro herói: Sebas. Lá mais para o final, descobrimos que se trata da abreviatura de Sebastião, um líder militar ferido, recrutado pelos vaturianos. Um claro piscar de olhos aos leitores nacionais. Pessoalmente, teria preferido que o grupo de heróis da história fosse português.

De um modo geral, parece-me que a ideia por trás deste livro é muito interessante mas as personagens são demasiado vazias para cativar o leitor. Também me pareceu que a história foi demasiado resumida, deixando por explorar uma série de linhas de enredo com muito potencial.

Acabou de me ocorrer que uma prequela, com D. Sebastião como herói “à força”, seria um livro que eu gostaria [highlight]muito mais[/highlight] de ler. :D

 

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