A saga dos Heechee é uma série de seis livros de ficção científica escritos por Frederik Pohl entre 1976 e 2004:

  • Gateway (publicado em 1977)
  • Beyond the Blue Event Horizon (publicado em 1980)
  • Heechee Rendezvous (publicado em 1984)
  • The Annals of the Heechee (publicado em 1987)
  • The Gateway Trip (publicado em 1990)
  • The Boy Who Would Live Forever: A Novel of Gateway (publicado em 2004)

Em Portugal, a série foi publicada na coleção Argonauta da editora Livros do Brasil. A generalidade dos livros foram divididos em dois volumes e, temos assim:

  • A Porta das Estrelas 1 (Argonauta #355, publicado em 1987)
  • A Porta das Estrelas 2 (Argonauta #356, publicado em 1987)
  • Para Além do Acontecer 1 (Argonauta #365, publicado em 1987)
  • Para Além do Acontecer 2 (Argonauta #366, publicado em 1987)
  • Encontro com os Heechee (Argonauta #378, publicado em 1989)
  • Os Anais dos Heechee (Argonauta #385, publicado em 1989)
  • Para Além da Porta das Estrelas 1 (Argonauta #481, publicado em 1997)
  • Para Além da Porta das Estrelas 2 (Argonauta #482, publicado em 1997)

Tanto quanto sei, o sexto e último livro da saga, The Boy Who Would Live Forever: A Novel of Gateway, nunca foi editado em Portugal.

A Saga dos Heechee

A história desta saga parte de um pressuposto que, a mim pessoalmente, me agrada bastante. Durante os primeiros passos na exploração do sistema solar, o Homem descobre, em Vénus, uns misteriosos túneis abandonados, construídos há meio milhão de anos por uma civilização alienígena (chamaram-lhes Heechee). Esses túneis levam à descoberta de um asteróide, aparente posto avançado dos Heechee, também ele abandonado, mas repleto de centenas de naves espaciais com a capacidade de cruzar a galáxia a uma velocidade superior à da luz. As tentativas de compreender ou controlar as naves dos Heechee não dão em nada. Mas alguns destemidos pioneiros descobrem que podem ligar as naves, ir até onde quer que seja que elas os levem, e voltar para contar a história. Depressa se descobre que as naves Heechee tanto podem levar a um destino de riquezas incalculáveis como a uma morte certa.

Algumas pessoas, nada têm a perder: numa Terra superpovoada e sobre-explorada, onde a fome e a miséria são o dia a dia de milhões de pessoas, conseguir um bilhete para o asteróide, a que chamaram Gateway (a porta das estrelas), é uma espécie de lotaria em que tudo se ganha ou tudo se perde.

Curiosamente, Frederik Pohl não parece seguir a fórmula linear neste tipo de história. Nos primeiros livros, pouco se esclarece sobre os Heechee  ou a sua tecnologia e, tão pouco se exploram os destinos exóticos a que as suas naves nos poderiam levar. O enredo centra-se em volta da personalidade daqueles que escolhem pilotar estas naves, em particular daquele que é o “herói” ao longo de quase toda a saga: Robinette Broadhead. Na verdade, a análise psicológica desta personagem é tão exaustiva que, parece-me, chega a ser um pouco doentia, roubando espaço a outras personagens que, de outro modo, poderiam tornar-se muito mais interessantes.

Somos confrontados com os espaços claustrofóbicos do asteróide Gateway e das naves Heechee, do medo daqueles que desejam e temem pilotar as naves (nada garante que a viagem de ida e volta, se houver volta, não demore mais tempo que o previsto e os alimentos a bordo se acabem).

Daqui para a frente haverá spoilers. Leiam por vossa conta e risco.

Depois de muita hesitação, Robin Broadhead parte numa nave, rumo ao desconhecido, com outros quatro tripulantes. Entre eles, a sua amada, Gelle-Klara Moynlin. Para sua consternação, uma vez no destino, descobrem estar na malha gravitacional de um buraco negro. Depois de algumas peripécias e por uma mera questão de sorte, Robin Broadhead consegue ser o único a escapar e regressar a Gateway. Consegue receber um prémio científico pelos dados que traz consigo, tornando-se um multimilionário mas o sentimento de culpa por ter deixado o amor da sua vida no interior de um buraco negro, persegui-lo-á por toda a sua vida.

Com o desenvolver da história, os temas da inteligência artificial e da imortalidade assumem um papel cada vez mais preponderante, de tal forma que a introdução de novos personagens e, finalmente, dos próprios Heechee, se tornam, de alguma forma, secundários. Uma pena, uma vez que alguns dos personagens que vão aparecendo ao longo da história poderiam tornar-se muito interessantes se devidamente explorados.  Talvez isso acabe por acontecer, na série televisiva baseada nesta obra que está prevista estrear no Syfy. Vou esperar para ver.

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