Ubik Que me perdoem os meus amigos admiradores de Philip K. Dick (e são muitos): eu bem me esforço, mas não consigo gostar! Não é a primeira vez que leio PKD e, tal como em leituras anteriores, dou por mim a fazer um esforço para não largar o livro a um canto e esquecê-lo. De vez. Em minha defesa só posso afirmar que o defeito será meu, certamente!

A história começa por me agradar bastante. A visão do futuro que Dick nos revela é brilhante, simultaneamente aterradora, humorística e irrepreensível! Claro que o poderia acusar de  ter falhado “a profecia” uma vez que a história de Ubik ocorre em 1992, ou seja, num futuro distante para o autor (que a publicou em 1969), mas um passado já remoto para mim (que a li em 2014).

Nesse longínquo ano de 1992, a humanidade terá afastado a morte das suas preocupações imediatas. Na iminência de um falecimento, as pessoas seriam colocadas num estado de suspensão, refrigeradas em “meia-vida” por muitos e longos anos. A comunicação com os meio-viventes implica uma ligeira reanimação que reduz, gradualmente, o seu tempo de meia-vida, mas  pode garantir uma despedida sem traumas por parte dos seus entes queridos.

Nesta sociedade extremamente tecnológica, em que os eletrodomésticos solicitam uma moeda para funcionar e as portas de casa exigem um pagamento para abrir, duas empresas rivais lidam com a questão dos poderes “parapsicológicos”. De um lado a companhia de Hollis que contrata os indivíduos com estas capacidades (telepatas, precogs) para fazer “espionagem industrial” e, do outro lado, Runciter, cujos funcionários têm a capacidade de bloquear os “poderes” do primeiro grupo.

É quando a companhia de Runciter é contratada para um trabalho na Lua que o enredo se começa, efetivamente, a desenrolar. Da minha parte, daí em diante é sempre a descer. Um sem-fim de situações sem nexo, embrulhadas sem sentido, desinteressantes e muito para além da minha compreensão. Lamentável, uma vez que a descrição do ambiente futurista é sublime, como é habito no autor que nos trouxe, relembro, Do Androids Dream of Electric Sheep? mais conhecido com o título do filme, Blade Runner.

Como referi anteriormente, reconheço que o defeito será meu. Basta ler os comentários e as avaliações no Goodreads para o perceber.

Nota: a imagem que ilustra este post é de uma edição britânica de 1973. A edição portuguesa (Presença, 2003) é inexplicavelmente feia.

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