O nosso primeiro dia da “expedição” a Montesinho foi passado entre a aldeia de Dine e as margens do Rio Tuela. Por mais visitas que façamos ao Parque Natural de Montesinho, não conseguimos deixar de nos impressionar com as paisagens que vamos encontrando. A sensação de estarmos perante um ecossistema quase intacto chega a ser emocionante!

No percurso que escolhemos até ao rio, o trilho é ladeado por um sombrio e acolhedor bosque de carvalho-negral, Quercus pyrenaica.

Trilho acolhedor.
Trilho ladeado de carvalhos.

Depois de uma acentuada descida, e uma vez junto às margens do Tuela, encontramos uma galeria ripícola em perfeito estado: sem vegetação exótica, sem poluição, sem agricultura intensiva. Um bom augúrio para as borboletas que pretendia encontrar.

Nas margens do Tuela
Nas margens do Tuela

Não foi preciso esperar muito. Um pequeno prado soalheiro, com erva alta, a poucos metros do rio, animava-se com uma profusão de borboletas a esvoaçar. Em pouco minutos terei contado mais espécies que aquelas que consigo encontrar na Marinha Grande durante toda a estação !

Pelo seu tamanho, as Argynnis pandora, que por ali voavam em grande número, foram as primeiras a chamar a atenção. De seguida apareceram algumas Polyommatus icarus, Pyronia tithonusMelanargia lachesis, espécies bastante comuns e que já perderam a capacidade de impressionar. Pouco depois, porém, o exótico recorte alar da Polygonia c-album deu um novo ímpeto à máquina fotográfica e fez-me correr ervas adentro, ainda que os carrapiços se me colassem às calças como velcro e os cardos me arranhassem os braços. Subitamente surge uma Pieris napi, espécie que, longe de ser invulgar, ainda me faltava fotografar convenientemente. Será desta?! Entretanto, torna-se difícil focar a atenção num só indivíduo. Ali ao lado uma Melitaea sp. atrai-me a atenção: estas não me são fáceis de identificar e compensa sempre um esforço extra na fotografia (o indivíduo em causa revelou tratar-se de uma Melitaea phoebe, de acordo com confirmação prestada pelo Eduardo).

O pequeno prado ainda reservava, no entanto, uma última surpresa. Pousada numa erva seca, totalmente imóvel, aparentemente adormecida, uma belíssima Boloria dia, espécie que em Portugal apenas surge em Trás-os-Montes. Clique, clique, clique!

Continuando o trilho programado, algumas espécies começam a repetir-se: a Argynnis pandora parece estar sempre presente, vimos mais uma Polygonia c-album e um casal de Melitaea phoebe. Outras vão aparecendo pela primeira vez, conforme vamos atravessando os seus habitats preferidos. Uma Hipparchia semele, uma Brintesia circe, uma Coenonympha pamphilus e uma pequena Diasemiopsis ramburialis

Melitaea phoebe
Melitaea phoebe

Quase de regresso a Dine, escondida entre a vegetação, ainda deu para avistar uma Camptogramma bilineata, a última borboleta deste primeiro dia em Montesinho.

Por diversas vezes, ao longo desta caminhada (de aproximadamente 5 Km), passámos por locais que parecem ser excelentes para uma sessão de borboletas noturnas. Um dia, quem sabe, levamos o equipamento todo e tiramos as teimas!

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