O Parque de Merendas do Troncão, gerido pela Associação Cultural e Desportiva de Igreja Velha, nas Colmeias, é um dos mais bem equipados Parques da região de Leiria. Um local que merece uma visita para um piquenique demorado.

Precisamente num destes piqueniques, em Abril do ano passado, apercebi-me de uma borboleta pouco comum na região esvoaçando às margens da ribeira que ladeia o parque: a Anthocharis cardamines. Desde logo ficou decidido que haveríamos de regressar para uma investigação mais detalhada da biodiversidade da zona. O tempo foi passando e as oportunidades de regressar revelaram-se escassas. Nestas férias, porém, decidimos dedicar uma tarde a esta zona.

A Ribeira (“da Igreja Velha” de acordo com as cartas militares e “da Venda Nova” de acordo com a carta geológica) é ladeada por uma galeria ripícola em excelente estado, situação cada vez mais rara na nossa região. Para além do pequeno curso de água encontram-se terras de cultivo num estado de semi-abandono, alguns pinhais e, pasme-se, pequenas manchas de carvalho com uma idade considerável.

Na tarde que dedicámos ao local, as libélulas foram as estrelas da tarde. Largas dezenas rodeavam as margens da ribeira e os campos em redor, selecionando os poisos da sua preferência. Além das muito abundantes Platycnemis latipes e Calopteryx haemorrhoidalis das fotos abaixo, foi ainda possível observar Onychogomphus forcipatus e algumas outras espécies que, por serem demasiado fugidias, ficaram por identificar. (Um agradecimento ao Aires Pires e ao Adrià Miralles pela colaboração nas identificações desta ordem).

Um casal de Platycnemis latipes.
Um casal de Platycnemis latipes.
Um macho de Calopteryx haemorrhoidalis.
Um macho de Calopteryx haemorrhoidalis.

No que a borboletas diz respeito a lista é um pouco mais extensa: a Pyronia tithonus parecia ser a espécie mais abundante, escondendo-se entre as ervas altas e nas sombras dos silvados que rodeiam os pinhais. Ainda da família Nymphalidae, foi possível observar algumas Pararge aegeria e um único indivíduo de Coenonympha pamphilus.

Coenonympha pamphilus
Coenonympha pamphilus

A família Papilionidae está bem representada no local: das três espécies nacionais foi possível observar duas. Alguns adultos de Iphiclides feisthamelii esvoaçavam na zona e, no funcho abundante à margem da ribeira, apareceu uma lagarta de Papilio machaon. As duas manchas escuras invulgares que apresenta levam-me a pressupor que possa estar parasitada.

Larva de Papilio machaon.
Larva de Papilio machaon.

A família Lycaenidae parecia quase ausente e apenas foi possível confirmar uma Celastrina argiolus. A família Pieridae, por outro lado, estava muito bem representada e, embora não tenha sido possível observar atentamente todas as Pieris que por ali esvoaçavam, confirmou-se que algumas delas eram Pieris napi.

Para terminar o relato relativo às borboletas diurnas resta referir a família Hesperiidae, da qual surgiram duas espécies: a Thymelicus sylvestris, com dois ou três indivíduos, e a Carcharodus alceae/tripolinus, espécies gémeas cujo limite de distribuição está ainda por apurar, de que apareceu um único indivíduo.

Carcharodus alceae/tripolinus.
Carcharodus alceae/tripolinus.

As observações lepidopterológicas da tarde não ficaram por aqui pois surgiram, ainda, algumas borboletas noturnas, nomeadamente geometrídeos. À Timandra comae e à Camptogramma bilineata que por ali esvoaçavam devemos juntar algumas lagartas “geómetras” que encontrámos nos carvalhos. A identificação dessas espécies ficará a aguardar a eclosão dos adultos.

Camptogramma bilineata.
Camptogramma bilineata.

Embora as restantes ordens de insetos não me atraiam particularmente, foi possível registar ainda uma pequena ninfa de gafanhoto, Aiolopus sp., cuja identificação agradeço ao Francisco Barros.

Uma ninfa de Aiolopus sp.
Uma ninfa de Aiolopus sp.

Enquanto o local mantiver as suas caraterísticas autóctones será, sem dúvida, um ponto a que iremos regressar com alguma regularidade, eventualmente até para uma sessão noturna. Muito haverá ainda para observar!

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Close Menu