O Ubuntu tornou-se o meu sistema operativo de eleição há vários anos. Cá em casa, corre 99,9% do tempo, pelo menos desde a sua versão 6.10 (Outubro de 2006). Nunca me arrependi e sempre que tenho que utilizar o Windows®, sinto-me arrepiar!

Com uma nova versão a sair a cada seis meses (em Abril e em Outubro de cada ano), posso garantir que já instalei ou atualizei o Ubuntu uma vintena de vezes. O processo já me está de tal forma interiorizado que quase o poderia fazer de olhos fechados.

Para eventuais interessados, deixo aqui um breve tutorial com os passos principais da minha instalação. Em forma de disclaimer, porém, preciso dizer que não me posso responsabilizar pela perda dos vossos dados caso optem por seguir estas instruções! Ah… Vou assumir que têm uma partição vazia no vosso disco que poderão utilizar para fazer a instalação. (Se o que procuram é um tutorial de particionamento, vejam aqui.)

1 – A instalação do Ubuntu

1.1. O primeiro passo é fazer o download do ficheiro de instalação do Ubuntu no respetivo site. Como poderão verificar, existem várias versões disponíveis: a esta data, podemos optar pela versão 12.04 LTS ou pela versão 13.04. A versão 12.04 LTS (long-term support) já é de Abril de 2012 mas será suportada com atualizações de segurança até Abril de 2017. A versão mais recente é a 13.04, de Abril de 2013. Qualquer uma destas distribuições tem disponíveis uma versão de 32 bits e outra de 64 bits. Apesar dos computadores mais recentes poderem fazer uso da arquitetura de 64 bits, nem todo o software está preparado para a suportar. Pessoalmente opto pela versão de 32 bits.

1.2. Agora é necessário extrair a imagem ISO para um meio que permita fazer o arranque do PC, seja um DVD ou uma pen USB. Não vou entrar em grandes detalhes, pois existem inúmeras formas de fazer isto, dependendo das máquinas e dos gostos pessoais de cada um. O site do Ubuntu tem as instruções necessárias: How to burn a DVD on WindowsHow to create a bootable USB stick on Windows.

1.3. Uma vez a imagem gravada num suporte apropriado, é necessário fazer o PC arrancar com esse dispositivo: será necessário aceder ao setup do computador (geralmente carregando F1, F2, ou DEL durante o boot) e escolher a opção que permite ao sistema arrancar a partir do DVD ou da pen USB, consoante o caso. E então…

splash

O primeiro passo está dado.

1.4. Depois de terminar o processo de arranque, somos presenteados com uma série de diálogos bastante amigáveis e intuitivos. O primeiro é este:

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Uma vez escolhido o idioma, pode optar por experimentar ou instalar o Ubuntu. O modo “Experimente o Ubuntu” irá correr todo o sistema operativo a partir do suporte de instalação (DVD ou pen), pelo que será bastante lento. Esta é, no entanto, uma boa forma de o experimentar sem fazer qualquer alteração definitiva no seu computador.

Aqui, vamos Instalar o Ubuntu!

Na próxima janela, são-nos feitas algumas recomendações e apresentam-nos duas opções que devem ser ativadas: “Descarregar as actualizações durante a instalação” e “Instalar este software de terceiros”. Julgo que ambas são auto-explicativas.

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No écran seguinte, com base na análise ao nosso disco, é-nos solicitado uma escolha quanto ao tipo de instalação que pretendemos. É uma escolha importante, mas depende inteiramente daquilo pretendemos e varia de caso para caso. Pessoalmente, prefiro optar por “Mais uma coisa”: é a escolha que nos permite um maior controlo sobre a instalação, embora seja também a mais complexa.

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Com base na escolha anterior, deveremos agora criar/selecionar as partições em que pretendemos instalar o Ubuntu. Esta é a parte em que se pode cometer um erro crasso e apagar tudo o que temos no disco. Cuidado! Como referi acima, não pretendo aqui fazer um tutorial de particionamento. Nesse aspeto, estão por vossa conta e risco. A imagem, mostra as minhas configurações pessoais.

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Daqui para a frente, o processo de instalação não tem mais segredos ou dificuldades:

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Pede-nos os nossos dados e uma senha de acesso ao computador…

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E, finalmente, começa o processo de instalação com base nas escolhas que fizemos anteriormente. É coisa para durar algum tempo, dependendo da máquina em que estamos a fazer a instalação.

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Uma vez concluída a instalação é-nos solicitado um reboot. Não esquecer de retirar o DVD (ou a pen), por forma a impedir que o computador arranque a partir dele (também deverão ir ao setup do PC e recolocar o disco rígido como o meio de arranque primário).

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2 – Instalar as ultimas atualizações

Apesar de termos acabado de instalar o SO, é certo que estarão disponíveis novas atualizações. Um bom primeiro passo é tratar desse assunto antes de começar a instalar ou desinstalar outro software. Para isso basta abrir o dash, clicando no botão do ubuntu (o primeiro na barra à esquerda – a que se chama launcher) e começando a escrever update. Entretanto aparecerá um “Actualizador de software” nas aplicações. Bastará, então, clicar-lhe.

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O processo não tem qualquer segredo: basta “Instalar agora” e reiniciar o computador no final, caso ele o solicite:

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3 – Instalar e remover software

Agora que o sistema base está instalado, vamos remover o software que não nos interessa e instalar aquele que nos faz mais falta.

Começamos por abrir um terminal [atalho: CTRL + ALT + T], e aí digitar:

sudo wget http://www.medibuntu.org/sources.list.d/$(lsb_release -cs).list --output-document=/etc/apt/sources.list.d/medibuntu.list

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Por questões legais, alguns dos pacotes de software que vamos instalar não estão disponíveis nos repositórios oficiais do Ubuntu. O passo anterior e os seguintes destinam-se a adicionar repositórios extra.

Continue a digitar no terminal:

sudo apt-get update &a& sudo apt-get install medibuntu-keyring && sudo apt-get update
sudo update-apt-xapian-index

Despachada a questão dos repositórios, vamos instalar o synaptic: trata-se um gestor de software bem mais poderoso que o Centro de Software Ubuntu instalado por defeito. Para isso, uma vez mais no terminal, digite:

sudo apt-get install synaptic

Agora resta-lhe iniciar o synaptic. Aceda ao dash e comece a escrever o nome synaptic até lhe aparecer o ícone da aplicação, onde deverá clicar:

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Ser-lhe-á solicitada a password…

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E o synaptic irá iniciar:

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A partir daqui poderá utilizar o “Filtro rápido”, na parte superior da janela, para pesquisar o software que pretende instalar ou remover. Ao clicar na checkbox de cada pacote, poderá selecionar se pretende instalar ou remover o respetivo software.

Por vezes, ao fazermos um seleção, o synaptic informa-nos que para instalar determinado software, é necessário instalar outro em simultâneo. A janela seguinte, por exemplo, mostra os pacotes que também são necessários para prosseguir com a instalação do Gimp. Quando esta situação acontece deveremos, obviamente, escolher “Marcar” esses pacotes.

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No meu desktop perfeito, opto por instalar:

  • gimp: software de edição de imagem
  • filezilla: um cliente de FTP
  • ttf-mscorefonts-installer: as fontes básicas da MS®
  • nautilus-dropbox: um cliente dropbox com integração com o gestor de ficheiros nautilus
  • vlc: reprodutor multimédia
  • non-free-codecs: codecs non-free não instalados por defeito com o Ubuntu
  • chromium-browser: o browser do google
  • pinta: um editor gráfico muito simples
  • rawstudio: processador de imagens em formato raw
  • openshot: editor de vídeo
  • qgis: software de SIG

E opto por remover:

  • thunderbird: um cliente de email (utilizo o browser)
  • shotwell: gestor de imagens (utilizo o picasa)
  • rhythmbox: um music player (utilizo o spotify)

Uma vez feitas as seleções, basta clicar no botão “Aplicar”, no topo da janela. Será então mostrado a informação global com os pacotes a serem removidos e instalados, assim como o espaço que ocuparão após a instalação. Mais uma vez deveremos clicar no botão “Aplicar”.

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É então iniciado o download do software selecionado anteriormente, o que poderá levar alguns minutos, consoante a velocidade da sua ligação à net:

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Uma vez finalizado o download, o synaptic encarrega-se de iniciar as respetivas instalações:

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Alguns dos pacotes escolhidos para instalação poderão necessitar de informação extra para a sua configuração (caso, por exemplo, do nautilus-dropbox). Nesse caso, deverá ir inserindo os dados conforme as janelas forem surgindo.

Finalmente, todas as novas instalações ou remoções estarão finalizadas e resta-nos fechar o synaptic.

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Determinados programas não se encontram disponíveis nos repositórios habituais e precisam de uma instalação mais personalizada. Aqui ficam as instruções para aqueles que instalo sempre individualmente.

A versão do Google Earth para Linux está disponível para download no site do Google. Basta selecionar o formato pretendido (neste caso 32 bit .deb (Para Debian/Ubuntu)) e aguardar que a transferência termine. Uma vez na posse do ficheiro .deb, bastará executá-lo (duplo click) e este será instalado a partir do Centro de Software Ubuntu, bastando para isso clicar em “Instalar”.

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Indique a sua password quando lhe for solicitado…

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E em poucos minutos o gearth está pronto a ser utilizado.

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O spotify pode ser instalado através das instruções no site respetivo.

O Picasa, finalmente, dá um pouco mais de trabalho… Comece por abrir um terminal [CTRL + ALT + T] e introduza os comandos seguintes, sucessivamente:

sudo apt-get install wine winetricks
cd && wget http://dl.google.com/picasa/picasa39-setup.exe
wine picasa39-setup.exe

Esta solução, porém, tem um bug que não permite aceder à conta google a partir do Picasa. Para contornar esse problema, será necessário instalar o ie6 a partir do wine.

Faça o dowload do ficheiro de instalação do IE6 a partir daqui. Mova-o para a pasta ~/.cache/winetricks/ie6/ (a pasta .cache está oculta – faça CTRL + H para a ver) e, finalmente, digite num terminal:

winetricks ie6

Siga, então, o processo de setup do IE6 até ao fim. Uma vez finalizado, o Picasa deverá funcionar sem problemas.

 

4 – Personalizar o ambiente de trabalho

Agora que temos tudo aquilo que precisamos utilizar, resta-nos dar um toque pessoal ao nosso ambiente de trabalho. Aceda às Definições do Sistema…

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Selecione “Aparência”…

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E faça uma seleção a seu gosto. Pessoalmente, gosto de manter os ícones do launcher com um tamanho entre os 34 e os 36 px.

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Claro que poderá inserir e remover os ícones do launcher consoante as suas preferências pessoais. Para isso bastará arrastá-los a partir do dash. Et voilá, está feito…

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Ok, só mais um toque pessoal:

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This Post Has 6 Comments

  1. estou interessado nesse so, achei bastante interessante o modo que ele se atribui e se comporta no computador! mas estou confuso a respeito dos drives do computador! instá-los eles normal? como se fosse no windows?

    1. carlos

      Caro Rafael, o Ubuntu instala todos os drivers necessários ao funcionamento do computador. Poderá haver (principalmente no caso das placas gráficas) alguns drivers que não são instalados por defeito mas, nesse caso, o próprio Sistema o informará que pode fazer a instalação.

      1. Obrigado cara! Agora posso instala-lo sem medo! rs

    2. Não, os drivers não tem compatibilidade (pelo menos os que eu testei), mas o ubuntu já vem com muitos drivers. Vem com drivers da Intel, Nokia, Sansung, Sony, Apple, Realtek, e vários outros. Instale o Ubuntu sem pena :)

  2. Parabéns pelo turorial, é através desta ações que mais usuários podem começar a usar a tecnologia.

    me ajudou muiiittooo

  3. Gostaria de saber se o da pra usar sem senha, como no windows…

    Pro pc ligar automaticamente sem precisar digitar senha.

    Abraço

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