Em 1973, no artigo “The shallow and the deep, long range ecology movement. A summary.”, Arne  Naess (27 de Janeiro de 1912 – 12 de Janeiro de 2009) deu uma pedrada no charco distinguindo as correntes ambientais entre movimentos superficiais (com tendência antropocêntrica) e movimentos profundos (não antropocêntricos). De acordo com este autor, os movimentos superficiais limitam-se a tentar resolver os problemas ambientais, enquanto a Ecologia Profunda requer uma compreensão da raiz dos problemas.

Arne Næss
Arne Næss nas montanhas Kolsås. Fotografia gentilmente cedida por © Petter Mejlænder.

Em 2005, Naess  publicou a última versão da plataforma da Ecologia Profunda. Em The Basics of Deep Ecology, o filósofo enumera 8 princípios que apelam ao ativismo ambiental e que assentam, claramente, no valor intrínseco da vida não humana.

Ecologia Profunda: 8 princípios para  mudar o Mundo

  1. O bem-estar e a prosperidade da vida humana e não humana na Terra têm um valor próprio (valor intrínseco ou inerente). O valor das formas de vida não humanas é independente da utilidade que o mundo não humano possa ter para fins humanos;
  2. A riqueza e a diversidade de formas de vida contribuem para a concretização destes valores e são valores em si mesmos;
  3. Os seres humanos não têm o direito de reduzir esta riqueza e diversidade, a não ser para a satisfação das suas necessidades vitais;
  4. A prosperidade da vida humana e das suas culturas é compatível com um decréscimo substancial da população humana. A prosperidade da vida não humana requer esse decréscimo;
  5. A atual interferência humana com o mundo não humano é excessiva e está a piorar aceleradamente;
  6. Em vista dos princípios anteriores, as políticas têm que ser alteradas. As mudanças políticas afetam as estruturas básicas da economia, da tecnologia e da ideologia. A situação que resultará desta alteração será muito diferente da atual;
  7. A mudança ideológica ocorrerá, sobretudo, no apreciar da qualidade de vida (a vida em situações de valor inerente) em vez da adesão a padrões de vida mais elevados. Haverá uma consciência profunda entre a diferença entre o grande (quantidade) e o enorme (qualidade);
  8. Todos os que subscreverem os princípios anteriores têm uma obrigação de direta ou indiretamente participarem na tentativa de implementar as alterações necessárias.

Até à data, os movimentos de ecologia superficial têm dominado as ações e as políticas um pouco por todo o Mundo, com resultados manifestamente insatisfatórios: o ambiente tem estado na agenda política de todos os partidos, em todos os países, ao longo das últimas décadas e, no entanto, as agressões ambientais e a delapidação da biodiversidade têm sido uma constante. É necessário, então, uma mudança de mentalidades e de estilos de vida que apenas poderá partir de cada um de nós. É  isso que propõe a Ecologia Profunda. Demorará vários anos até que estas mudanças se espelhem nas decisões políticas e nas instituições com poder de decisão. Apesar de tudo, Naess sempre se manteve otimista: temos que estar preocupados com o que podemos fazer hoje e no próximo século alcançaremos vitórias.

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