Se o senso comum nos diz que tudo aquilo que teve um começo também há-de ter um fim, quem somos nós para duvidar da constatação do óbvio?

Ultrapassada essa dúvida logo surge uma outra, não menos interessante: então, afinal, o que o fará acabar? O Mundo, afinal de contas, parece ser um lugar sólido e resistente. Já passou por muito ao longo destes 4,5 mil milhões de anos (mais precisamente, 4 540 000 000 anos). Vejamos: a Terra já sofreu megaglaciações que a cobriram de gelo dos pólos ao equador, aquecimentos globais que provocaram extinções em massa, impactos de asteróides, megaerupções vulcânicas, o Homem…

Na verdade, é mais que certo que depois do último Homo sapiens expirar, o Mundo por cá continuará feliz da vida, porventura ocupado por outros seres mais ou menos preocupados com os princípios e os fins daquilo que os rodeia. Talvez afinal de contas, não seja o fim do mundo que nos devia preocupar mas, antes, o nosso próprio fim. É mais que certo que o planeta nos sobreviverá.

A fragilidade do ser humano revela-se na nossa incapacidade para prever a data em que o Homo sapiens não será mais que uma curiosidade geológica. Talvez chegue o dia em que os nossos fósseis alimentem os mitos dos seres do futuro.

Qualquer incidente do passado nos poderá bater à porta a qualquer momento sem aviso prévio.

Não se sabe ao certo quantos asteróides rondam o nosso planeta de forma sorrateira. Em 18 de Março de 2004 um asteróide com 30 m de diâmetro passou a 43000 km da Terra (um décimo da distância à Lua). Foi detetado 3 dias antes. Duas semanas depois, um novo asteróide, com 10 metros de diâmetro, fez-nos uma razia a 6500km (sessenta vezes mais perto que a Lua). Foi detetado apenas algumas horas antes. Estes tratam-se, porém, de pequenos meteoróides que provavelmente se desintegrariam ao entrar em contacto com a nossa atmosfera. E se surgir um com 1 km de diâmetro? Que faremos nós, mesmo que ele seja detetado com uma ou duas semanas de antecedência? Possivelmente faremos o mesmo que fizeram os dinossauros.

Não precisamos de ir até ao espaço, porém, para encontrar motivos de preocupação. Os supervulcões são uma ameaça latente permanente. Geralmente associados a hotspots continentais, estes vulcões têm uma capacidade destrutiva que pode ser milhares de vezes superiores aos vulcões típicos. De forma simplificada, ocorrem quando o magma sobe até à crusta continental e não tem energia suficiente para a quebrar. Esta situação leva a um aumento gradual de pressão ao longo de milhares de anos. Quando se atinge um ponto crítico, finalmente, toda a energia é libertada numa explosão capaz de devastar um continente e afetar todo o planeta de forma irremediável. As cinzas espalham-se pela alta atmosfera provocando um inverno vulcânico que pode durar anos, afetando a fotossíntese e, consequentemente, toda a cadeia alimentar.

O mais conhecido destes supervulcões é o de Yellowstone que, contas feitas, tem uma erupção a cada 600 000 anos. A última foi há 640 000 anos.

Pouco podemos fazer para evitar qualquer um destes eventos catastróficos. É uma questão de tempo até sermos atingidos em cheio. Provavelmente de surpresa e sem data marcada. Pode ser amanhã ou daqui a 2000 anos. Estes acontecimentos estão tão interessados nos nossos desejos e nas nossas datas redondas como uma formiga estaria interessada em Cálculo Integral.

Há, no entanto, um outro perigo à espreita, não menos real e preocupante. O egoísmo do ser humano tem-nos levado à depleção dos recursos naturais de uma forma que o planeta não consegue recuperar em tempo útil. A este ritmo, temo, o nosso fim chegará bem depressa. Sem água potável e sem comida a civilização entrará em colapso, as guerras generalizar-se-ão e o nosso fim pode chegar numa data escolhida por nós.

Quanto ao nosso Mundo, sobreviverá, certamente, até que daqui a 5 mil milhões de anos o Sol se torne uma gigante vermelha e engula o nosso planeta. Nenhum de nós precisa preocupar-se com isso por agora.

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