O talhão 253 do Pinhal do Rei, fica próximo da cidade da Marinha Grande. É limitado a norte pelo aceiro O, a sul pelo aceiro P, a oeste pelo arrife 6 e a este pelo arrife 5, abrangendo uma área aproximada de 30 hectares.

O pinheiro-bravo Pinus pinaster Aiton, domina o talhão com espécimes com uma idade aproximada de 25 anos. Aqui e ali, porém, surgem outras árvores: o sobreiro Quercus suber Linnaeus, o carvalho-cerquinho Quercus faginea Lamarck e, infelizmente, a invasora Acacia longifolia (Andrews) Willd. que parece estar a propagar-se descontroladamente a partir do sudeste do talhão.

No substrato arbustivo, abundam os tojos (Ulex sp.), as urzes (Erica sp.) e a carqueja Genista tridentata Linnaeus. Ocorrem ainda algumas silvas Rubus ulmifolius J.Presl & C.Presl, o lentisco Phillyrea angustifolia Linnaeus, o saganho-mouro Cistus salviifolius Linnaeus, a giesta Cytisus striatus (Hill) Rothm. e a carvalhiça Quercus lusitanica Lamarck.

A fraca pluviosidade do Inverno que agora termina resultou num tardio florescimento das espécies herbáceas. Aqui e ali, porém, foi possível identificar algumas, nomeadamente o feto Pteridium aquilinum (Linnaeus) Kuhn in Kersten (1879), a gilbardeira Ruscus aculeatus Linnaeus, o jacinto Hyacinthoides sp. e as campainhas-amarelas Narcissus bulbocodium Linnaeus.

Surgiu apenas um cogumelo Scleroderma sp.. Um pouco por todo o talhão é possível observar diferentes tipos de líquenes terrícolas, caso da Cladonia rangiformis Hoffm. 1796 e epífitos, caso da Evernia prunastri (Linnaeus) Ach. e da Usnea subfloridana Stirton.

Apesar da temperatura elevada para esta altura do ano (máxima de ~22ºC), os insetos (e os artrópodes em geral), não apareceram em grande quantidade. Surgiram algumas aranhas da família Tetragnathidae e da família Araneidae (nomeadamente a Araniella cucurbitina (Clerck, 1757)). Foram avistadas algumas borboletas da subfamília Satyrinae e uma da família Pyralidade. Um pouco por todo o talhão abundam os caraterísticos aglomerados de espuma produzidos pelas ninfas da cigarrinha-da-espuma Philaenus spumarius (Linnaeus, 1758). Observou-se um ninho de formigas Camponotus sp. e um ou outro himenóptero.

Dada a densidade do arvoredo, as aves são mais facilmente ouvidas que observadas. De qualquer forma foi possível identificar um chapim-carvoeiro Periparus ater (Linnaeus, 1758).

Embora os mamíferos sejam difíceis de observar, alguns vestígios são inconfundíveis: pequenas escavações de latrinas de coelho-bravo Oryctolagus cuniculus (Linnaeus, 1758) e pinhas roídas por esquilos Sciurus vulgaris Linnaeus, 1758. Estas últimas ocorrem apenas na área a leste da estrada que atravessa o talhão. Porventura os esquilos estarão estabelecidos no talhão 252 (onde abunda o pinheiro-manso) e apenas visitam esta área de forma algo esporádica, agindo a estrada como uma barreira na sua distribuição.

Lamentavelmente, foi possível observar uma série de ameaças à biodiversidade do local. Às já referidas invasão de espécies exóticas (acácias) e fragmentação de habitats (estrada), associa-se a deposição indiscriminada de lixo, uma vez mais com maior incidência na área leste deste talhão.

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  1. Parabéns Primo. As fotografias acompanhadas com os respectivos Comentários enriqueceu e muito o seu trabalho.
    Li tudo com muita atenção e, fiquei muito contente uma vez que fiquei a conhecer muitas coisas. LEMBRO-ME que sempre adorei as histórias que o meu Sogro Manuel Franquinho, contava ( como se as situações passadas voltassem a ser o presente ).Até o brilhozinho dos olhos se fazia notar. Falava do passado como algo de glorioso se tratasse.Bem como do um dever cumprido! .Obrigada. Parabéns.

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