Este dia começou cedo. A hora marcada para o encontro no Buçaco era às 08h45m e nós lá estávamos. Apesar de, até à data, não ter por hábito participar muito ativamente no grupo Macrofotografia Portugal no Facebook, este sempre foi um género fotográfico que me cativou – não tanto pelas técnicas e segredos do método mas antes pelas possibilidades de registo do mundo natural que a macrofotografia permite.

Obviamente, num evento deste tipo, há sempre vários motivos de interesse e seria difícil indicar apenas um como aquele que mais nos seduziu. Conhecer outras pessoas com interesses semelhantes aos nossos é, certamente, um ponto fundamental (principalmente quando os nossos interesses em comum são tão estranhos e invulgares aos olhos das pessoas “normais”). Rever outros amigos que vamos fazendo em aventuras semelhantes, como é o caso da Tatiana e do Fernando, não é menos importante. Descobrir um pouco mais sobre as técnicas e equipamento utilizados pelo pessoal é, porventura, um dos grandes atrativos deste tipo de encontros. Finalmente, explorar alguma da biodiversidade que podemos encontrar no nosso país é, a meu ver, o pormenor essencial, que já nos tem levado um pouco a todo o lado, de Norte a Sul de Portugal.

Os participantes, procurando bicharocos

Curiosamente, não posso afirmar, desta vez, ter visto algo de extraordinário ou invulgar em termos de biodiversidade. Descobri, no entanto, algumas facetas muito importantes da minha própria relação com a fotografia – pormenores que apenas poderia descobrir observando os outros. Percebi, finalmente, que o meu interesse pela fotografia do mundo natural, difere substancialmente da generalidade dos fotógrafos de natureza. Habitualmente procuro fotografar como forma de efetuar um registo (seja ele de uma espécie de inseto ou de planta, do seu habitat ou comportamento) – a fotografia é um meio e o conhecimento da Natureza é um fim. Os verdadeiros fotógrafos, porém, procuram obter a tal fotografia, passando o motivo fotografado para segundo plano – a Natureza é um meio e a fotografia é o fim.

Fotografando uma minúscula lagarta verde

Não se trata, aqui, de qualquer crítica aos verdadeiros fotógrafos (que muito admiro). Trata-se antes do reconhecimento de que não sou um deles. É uma descoberta que me dá algum alívio porque nunca dominei as técnicas fotográficas necessárias para estar à altura dos verdadeiros fotógrafos da Natureza.

Técnicas avançadas: de barriga para baixo

Descobri, do mesmo modo, que a macrofotografia que sempre me seduziu, não me interessa assim tanto. Isto é, a fotografia com ampliações de 1:1 ou superiores parece-me pouco relevante para o que pretendo em fotografia de natureza. Se me interessa retratar um inseto para registar a ocorrência daquela espécie naquele local, uma imagem perfeitamente focada apenas dos seus olhos é totalmente irrelevante. A fotografia de insetos não é, necessariamente, macrofotografia e é essa vertente mais geral que realmente me interessa (apesar de a macrofotografia permitir obter detalhes cujo interesse didático-científico é indesmentível).

O pessoal a fotografar uma Salamandra-de-pintas-amarelas

A parte noturna do evento, como não poderia deixar de ser, foi dedicada aos heteróceros (borboletas noturnas). Apesar de terem aparecido em quantidade razoável, nenhuma das espécies atraídas à luz se revelou particularmente fascinante. Mais interessante foi a lagarta de Hoyosia codeti Oberth, encontrada pelo Paulo Lemos, espécie nova para mim.

Lagarta de H. codeti

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  1. Primeiro, quero dar-vos os meus Parabéns. Li com muita atenção a.vossa explicação, de tudo o que estavam a fazer… Dá para ver, que o que fazem é por AMOR aquilo que mais gozo vos dá fazer… O contacto com a Natureza!. Continuem a mostrar-nos o que de mais belo há. Por isso MUITO OBRIGADA.

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