As elevadas temperaturas a que se encontra o interior do nosso planeta resultam da ação conjunta de fatores diversos: a tetónica de placas e o vulcanismo, a geologia dos diferentes locais, o decaimento radioativo de alguns elementos presentes nas rochas e, obviamente, a pressão e profundidade. Da ascensão deste calor à superfície pode resultar um aquecimento natural da água subterrânea, a qual se torna, deste modo, a base de um recurso energético muito interessante do ponto de vista ambiental.

Central geotérmica
Central elétrica geotérmica, na Islândia. Fotografia de Gretar Ívarsson.

No caso nacional, é possível fazer uma clara distinção entre os recursos disponíveis no arquipélago dos Açores e aqueles presentes no território continental.

Em Portugal, é no arquipélago dos Açores, fruto da sua localização na fronteira de placas, que a exploração de energia geotérmica se encontra mais desenvolvida. As centrais instaladas nas diversas ilhas resultam numa potência anual de 235,5 Megawatts. Uma vez que a rede elétrica deste arquipélago é autónoma, não se encontrando ligado à rede europeia de eletricidade, estas centrais assumem um papel fundamental no desenvolvimento de toda a região.

Em Portugal Continental, o aproveitamento deste recurso limita-se, de momento, ao seu aproveitamento para aquecimento de alguns edifícios. As ocorrências geotérmicas no território continental apresentam baixas temperaturas (atingem um máximo de 76ºC nas Caldas de Chaves), variando consoante a profundidade e origem da água. De acordo com os dados disponibilizados pelo Laboratório Nacional de Energia e Geologia, das 52 ocorrências geotérmicas existentes no país, apenas 6 são exploradas para além de uma mera utilização termal.

As vantagens da exploração deste recurso com o fim de produção de energia elétrica são inegáveis. A poluição resultante do funcionamento destas centrais é muito reduzida quando comparada com as tradicionais fontes de energia fóssil – não há produção de cinzas, de resíduos radioativos nem uma elevada emissão de CO2. O espaço ocupado pelas centrais e, consequentemente, o seu impacto ambiental e visual é reduzido quando comparado com outras centrais extratoras de energia. Como referido anteriormente, pode ser uma solução muito vantajosa para zonas remotas (caso das ilhas), onde a ligação à rede energética pode ser difícil ou demasiado onerosa.

Curiosamente, esta última vantagem pode resultar também numa das principais dificuldades associadas à exploração da geotermia: trata-se de um recurso eminentemente local, disponível muitas vezes em zonas remotas e desabitadas, tornando-se a sua exploração inviável do ponto de vista económico caso se torne necessário transportar para longe a energia ali produzida. Por outro lado, estas explorações possuem uma duração limitada (algumas décadas), período após o qual o seu rendimento diminui, fruto do arrefecimento gradual do aquífero pela remoção constante da água quente e injeção de água fria.

As propriedades geotérmicas da Região Autónoma dos Açores parecem ser justamente consideradas uma potencial fonte de desenvolvimento regional e, a sua implantação prossegue a um ritmo acelerado.

No território continental, não parece justificar-se a exploração da energia geotérmica para produção de eletricidade. As temperaturas necessárias para a produção de energia elétrica são superiores a 120ºC e não ocorrem atualmente em nenhuma das fontes conhecidas. A realização de um furo com a profundidade suficiente para atingir esta temperatura seria, provavelmente, economicamente pouco apelativa, principalmente se considerarmos que o país tem capacidade para instalação de outras fontes de energia alternativa (solar, eólica, marés) a menor custo.

A sua utilização em sistemas de aquecimento, porém, está a dar os primeiros passos e pode revelar-se um excelente investimento nas regiões onde venha a ser implementada. Mesmo sem produção de eletricidade, a poupança na fatura energética resultante de um aquecimento geotérmico, pode vir a revelar-se uma mais valia quer em termos económicos quer em termos ambientais.

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