Depois de um longo Inverno, os primeiros dias de Sol são sempre um convite à aventura e aos passeios de fim de semana. Os percursos idealizados durante os dias chuvosos têm, finalmente, oportunidade de ver a luz. ;)

Nada como começar a estação satisfazendo, de uma só vez, uma série de objetivos! Rumámos ao Parque Natural da Serra de Aire e Candeeiros.

A intenção principal era tentar fotografar a Euchloe tagis (Hübner, 1804), uma das últimas borboletas diurnas de Portugal que me falta avistar… Por indicação do Eduardo Marabuto, dirigimo-nos à Serra dos Candeeiros, mais precisamente ao percurso da antiga linha de caminho de ferro que servia as minas de carvão da Bezerra. (Entre Porto de Mós e Rio Maior existem alguns locais onde, em tempos, se explorava carvão, na forma de lenhite presente nos sedimentos do Oxfordiano. Este carvão era transportado para Porto de Mós através de uma linha férrea desmantelada durante a década de 50 do século XX).

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Depois de um percurso automóvel por estradões de terra batida, ladeados por algumas terras de cultivo e pelas imponentes paisagens cársicas a que o local já nos habituou, chegámos ao ponto em que decidimos estacionar. Uma vez ali, a distância à civilização começa a fazer-se sentir na vegetação que nos rodeia. Abundam os carrascos e os carvalhos lusitanos, os medronheiros e as madressilvas. Por entre a vegetação mais rasteira, as orquídeas e os narcisos dão as boas vindas à Primavera. Aqui e ali, destoam pequenos grupos de eucaliptos e de pinheiros (preferimos fingir que não os vemos e que estamos antes rodeados da flora autóctone desta região).

Embora as esperanças, à partida, não fossem muito elevadas, confesso que me entusiasmei após os primeiros passos. Os meus olhos perderam-se, subitamente, a olhar em volta, tal a quantidade de pequenos lepidópteros que por ali esvoaçavam. Não eram as desejadas brancas, é certo, mas parecia um bom indício.

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Pelo nosso percurso, se cruzaram largas dezenas de Callophrys rubi (Linnaeus, 1758), a pequena borboleta verde com que tive um encontro memorável noutros tempos. Bastantes Zerynthia rumina (Linnaeus, 1758) também por ali esvoaçavam, representando a família dos papilionídeos. Num dos morros mais elevados por onde passámos (Cabeço Grande, 374m), cerca de uma dezena de Vanessa atalanta (Linnaeus, 1758) praticavam hill-topping com um objetivo claro: o acasalamento. Fora de alcance surgiu uma ou duas vezes a cor limão inconfundível das Gonepteryx sp. Infelizmente, no que a borboletas diz respeito, não há muito mais a dizer… De E. tagis nem sinal.

Por outro lado, estes meses afastado da fotografia do mundo natural, parecem ter-me reduzido as capacidades adquiridas. Não tirei uma única foto digna de registo. :( Valeu, no entanto, pelo reconhecimento do terreno. Na próxima visita sabemos com o que contar!

Obviamente, num local como este, as borboletas não são o único ponto de interesse. Seria impensável vir até aqui e não fazer as caches que se nos atravessam no caminho. Duas, neste caso: a “O qu’ ouve aqui?” e a “Trilhos & Carvão”. Ambas feitas sem grande dificuldade e sem histórias assinaláveis. A paz e beleza do local justificam plenamente a presença de ambas.

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