O Mago relata a história do jovem Pug, um órfão que habita num castelo fronteiriço do Reino, no estranho mundo de Midkemia. Sem família e sem um artífice disposto a ensinar-lhe uma profissão, o futuro do jovem parece pouco promissor. Entretanto, o Mago Kulgan, seja por piedade ou por ver realmente algo de especial na criança, decide tomá-la a seu encargo, aceitando-o como aprendiz. Lamentavelmente, o progresso de Pug enquanto mago é muito reduzido…

Na verdade, este mundo de Midkemia podia ser decalcado da Terra Média de Tolkien: temos elfos nas florestas, anões nas montanhas, e uma espécie de ogres a norte. São coincidências a mais e seriam suficientes para daqui resultar uma obra banal, caso o autor optasse pela solução mais fácil. Felizmente, tal não aconteceu.

De súbito, aos pequenos problemas que assolam este mundo, junta-se outro, bem mais grave: seres daquilo que parece ser um universo paralelo, invadem Midkemia com uma ferocidade que o Reino tem dificuldade em aguentar. Pug encontra-se entre aqueles que rumam à distante capital do Reino, suplicando por ajuda para enfrentar a invasão. Entre intrigas palacianas e aventuras sob montanhas tenebrosas, este pequeno grupo procura desesperadamente encontrar o tão necessário apoio para enfrentar este inimigo desconhecido.

Pouco depois de se iniciarem os confrontos, porém, a história segue um rumo inesperado. Pug é feito prisioneiro e no início do segundo volume, encontramo-lo feito escravo, prisioneiro num mundo desconhecido. Quando a esperança começa a esmorecer, uma reviravolta dá um novo ímpeto à trama: reconhecido como um mago em potencial por um dos seus captores, Pug é iniciado na magia deste povo, tornando-se um Grandioso, um dos mais poderosos homens desta sociedade, acima de qualquer lei.

Não adiantarei mais pormenores mas posso afirmar que este não é, garantidamente, um livro de fantasia linear, do “bem contra o mal”. A própria “magia”, que pelo título da obra se poderia supor ser uma constante, não é utilizada mais que três ou quatro vezes, em momentos chave da história.

Algo que salta à vista é o potencial artístico do imaginário criado por Feist. Foi com alguma surpresa que percebi não haver um filme em fase de produção. Não deve tardar! Entretanto, há já uma banda desenhada correspondente ao primeiro volume (tomo a liberdade de a utilizar para ilustrar este texto).

Em Portugal, esta obra é editada pela Saída de Emergência em dois volumes:

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