O ouro é um recurso mineral metálico geoquimicamente escasso utilizado pelo Homem desde há cerca de 6000 anos. Trata-se de um metal nativo, extraído do minério com o mesmo nome. É utilizado em joalharia, no fabrico de moedas e como constituinte de ligas. O seu uso, porém, estende-se a outras áreas que vão da industria à medicina. A sua reduzida concentração média de 0,0000005% da crosta, traduz-se na necessidade de pesquisa e exploração de locais com um fator de enriquecimento de 250 (equivalente a uma concentração de 0,0001%).

A génese do ouro está ligada, essencialmente, a dois processos distintos: hidrotermal ou sedimentar.

No caso dos processos hidrotermais, os iões de ouro são inicialmente dissolvidos por fluidos aquosos com elevada acidez. Quando se dá um arrefecimento rápido destas soluções os iões metálicos dissolvidos acabam por precipitar, formando um depósito cuja concentração de mineral pode ser elevada. Consoante o depósito ocorra em fraturas ou nos poros da rocha, obtém-se veios hidrotermais ou depósitos disseminados.

Os processos sedimentares resultam da concentração mecânica do mineral através da ação da água. Uma vez que os diferentes minerais têm diferentes densidades, as correntes de água podem, com o tempo, separá-los de acordo com o seu peso específico, favorecendo o transporte a maiores distâncias dos minerais menos densos e facilitando o depósito dos mais densos. Deste modo, nos locais em que a corrente seja menos intensa (meandros de rios, depressões, etc), haverá tendência para depósito dos minerais mais densos (de que o ouro é o melhor exemplo), enquanto as restantes partículas seguem o seu curso. Este processo está na origem das célebres corridas ao ouro no Oeste americano, imortalizadas por inúmeros filmes e que, mais não são que a exploração destes placers.

Exploração mineira de placer fluvial.
Exploração mineira de placer fluvial. Fonte: http://en.gtk.fi/

Em Portugal, a exploração de ouro data do período romano. Sabe-se que à data, a Península Ibérica e Portugal em particular, eram a principal origem de ouro no Império Romano. É, assim, curioso constatar que não existe atualmente um estudo generalizado da ocorrência deste minério ao longo do território nacional.
Está confirmada a sua existência em Vila Pouca de Aguiar (Jales), no Porto (Castromil) e em Montemor-o-Novo (Escoural). Destaque ainda para o Vale do Ceira onde, aparentemente ocorre acumulação deste mineral em placers.

Apesar de nenhuma destas minas estar atualmente em laboração, um estudo recente (2007), refere a viabilidade das minas de Jales e outro refere o interesse de exploração em Castromil. A questão que se coloca então, parece óbvia: porquê o seu abandono inicial?

Na realidade, consoante a extração de minério vai diminuindo as suas concentrações, o custo associado à exploração vai aumentando até que deixa de ser economicamente viável manter a atividade. Décadas depois, porém, consoante as reservas mundiais de ouro vão diminuindo, a possibilidade de voltar a explorar estes locais com menor concentração vai-se tornando economicamente mais atrativa. Por outro lado, o desenvolvimento de novas tecnologias de mineração poderá, em teoria, otimizar a exploração, requerendo um menor nível de concentração de minério.

Não surpreenderá, assim, que durante os próximos anos, tanto o interesse em reativar estas minas como o de efetuar um estudo a todo o subsolo nacional, continuem a subir.

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