À exceção de pequenos períodos de quebra, a população humana tem vindo a crescer exponencialmente desde há, pelo menos, 8000 anos. Na realidade, porém, este crescimento foi bastante reduzido durante a maior parte da história da humanidade. Apenas por volta de 1804 se atingiu o patamar de mil milhões de indivíduos, ou seja, foram necessários cerca de 10 000 anos para se atingir o primeiro milhar de milhão de seres humanos. Em 1927 (123 anos depois) atingiam-se os 2 milhares de milhões e em 2011 atingiremos os 7 milhares de milhões.

Ao longo dos milénios, vários fatores têm contribuído para este crescimento. Inicialmente, a transição do nomadismo para o sedentarismo e o consequentemente desenvolvimento da agricultura, terão sido decisivos para a melhoria das condições de vida (maior disponibilidade de alimento e melhor capacidade de armazenamento). Durante o século XVII em consequência dos Descobrimentos e dos primórdios da globalização, da melhoria dos cuidados médicos e da higiene, a curva de crescimento iniciou a subida vertiginosa que hoje encontramos.

Obviamente, o padrão de crescimento acontece de forma desequilibrada nas várias regiões do mundo uma vez que as taxas de crescimento variam de país para país e de região para região. Algumas das consequências deste crescimento descontrolado, porém, far-se-ão sentir de forma global.

Uma das principais preocupações com o aumento populacional prende-se com a escassez de recursos alimentares e energéticos. A inevitável sobre-exploração do mundo natural, que advém da escalada insaciável das necessidades humanas, apenas trará um maior desequilíbrio ao planeta. Se considerarmos o histórico da nossa espécie, é quase certo que o Homo sapiens não saberá lidar convenientemente com esta situação e, daqui resultarão novas guerras pelo controlo dos recursos que terão como consequência o aumento das desigualdades entre as nações. Ou seja, seguindo a mentalidade corrente e a sua habitual natureza belicosa, o Homem apenas irá exponenciar os problemas resultantes do excesso populacional.

A par destas preocupações e receios, porém, o Homem tem a seu favor um poderoso aliado: o conhecimento. Nunca anteriormente, na história da espécie humana, o acesso ao conhecimento e à informação esteve tão difundido como atualmente. Sabemos como contornar o problema: planeamento familiar, métodos anticoncepcionais, aumento da taxa de escolaridade, melhorias económico-sociais são conceitos que, hoje, são globalmente compreendidos como solução para o problema de sobrepopulação.

Se temos as soluções, torna-se apenas necessário encontrar uma nova forma de ser e de agir para lidar com uma situação nova em toda a nossa história.

De uma forma ou de outra, as diversas correntes de Ética Ambiental, indicam algum tipo de abordagem para lidar com este problema. Efetivamente, as consequências do crescimento da população humana podem dividir-se em dois grupos distintos: as consequências para a própria espécie (diminuição da qualidade de vida das populações, aumento dos casos de fome e de guerra) e consequências para a vida não-humana (depleção de recursos naturais, desflorestação, urbanização crescente). Deste modo, quer se opte por uma abordagem antropocêntrica quer se opte por uma abordagem mais biocêntrica ou holística, este crescimento descontrolado da espécie, será sempre um problema que importa controlar.

Considerando que a Ecologia Superficial é a corrente atualmente em vigor na generalidade das nações desenvolvidas, verificamos que, apesar da sua boa vontade e da noção de que devemos preservar a natureza, temos que reconhecer que, ano após ano, nos encaminhamos para um desastre global a que esta corrente ética não tem conseguido responder. Daí que uma das críticas de Naess a esta abordagem é a sua propensão para se centrar na resolução dos problemas e não em evitar que estes ocorram. As consequências do excesso populacional, no entanto, poderão ser demasiado graves para tomarmos medidas à posteriori. É necessário agir atempadamente. É necessário agir hoje.

A corrente ética da Ecologia Profunda inclui, num dos oito princípios da plataforma da Ecologia Profunda uma menção clara ao excesso populacional:

O bem-estar da vida humana e das suas culturas é compatível com um decréscimo substancial da população humana. O bem-estar da vida não-humana requer esse decréscimo.

Esta corrente ética é, sem dúvida, mais pró-ativa, incentivando o ativismo, a mudança de política e a procura de soluções a longo prazo. Embora se baseie numa visão claramente ecocêntrica do mundo, no problema em análise esse não é um fator preponderante pois, como se viu, as consequências do excesso populacional atingirão tanto a espécie humana como o mundo natural no seu todo.

O ecofeminismo baseia-se em dois pressupostos fundamentais: a natureza possui, essencialmente uma essência feminina e, tanto a mulher como a natureza têm vindo a ser exploradas e submetidas ao poder masculino. Apesar de todas as críticas que se possam fazer a estas afirmações, o papel da mulher e o contributo da sua emancipação no controlo populacional é inegável. Num mundo em que, finalmente, se atinja a igualdade entre os sexos, em que as mesmas possibilidades de educação e cultura sejam oferecidas quer aos homens quer às mulheres e, em que estas sejam donas do seu próprio corpo, podendo fazer conscientemente as melhores opções, começaremos, finalmente, a caminhar para uma situação de equilíbrio e, em algumas gerações o crescimento populacional poderá finalmente estabilizar.

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