Nos dias de hoje o petróleo é utilizado de forma tão alargada e em tão diversas áreas, que todos temos a noção do grau de dependência que atingimos. O petróleo é o combustível que alimenta a civilização moderna tal como a conhecemos e, sem ele, esta desmoronará. Desde há uns anos para cá, de forma dramaticamente lenta, começamos a tomar consciência do inevitável: este é um recurso não renovável e a sua disponibilidade pode ser medida em décadas. Imaginar a vida sem petróleo, é um exercício que poderia levar a um devaneio digno de um livro de ficção científica ou de fantasia, tal a dimensão da nossa dependência! Quando esse dia chegar, confio que a humanidade tenha já procurado soluções alternativas que minimizem o choque civilizacional.

No dia em que a produção de petróleo fosse cancelada, o impacto mais imediato seria, indubitavelmente, sentido nos meios de transporte. Também a nível pessoal, este seria um dos maiores contratempos. Por sorte, não preciso de petróleo para me deslocar para o emprego uma vez que o curto percurso é feito a pé. No fim de semana, porém, as limitações impostas às deslocações far-se-iam sentir. Os passeios familiares teriam que se restringir a percursos de bicicleta e caminhadas pela região o que, ainda que resultasse num estilo de vida bem mais saudável, seria francamente desanimador. Talvez fosse possível encontrar soluções nos transportes públicos, supondo que estes procuram fontes alternativas de energia atempadamente, mas, considerando que o petróleo entra na composição da pintura e dos pneus e é utilizado em inúmeras etapas da fabricação dos veículos, seria demasiado otimista supôr que se encontre uma rápida substituição para os meios de transporte. O meu estilo de vida passaria, sem dúvida, a ser muito mais local e menos global.

Os combustíveis, porém, não são o único bem que utilizamos no dia a dia e que depende do petróleo. Na realidade, seja por entrar diretamente na composição ou por ser requerido no processo de fabrico ou transporte, o ouro negro parece estar intimamente ligado à generalidade dos produtos que utilizamos no quotidiano.

Consideremos a alimentação: a utilização de petróleo começa, desde logo, na produção dos alimentos, entrando na composição dos fertilizantes e dos pesticidas. A maquinaria agrícola requer combustível, assim como o posterior transporte dos produtos. Geralmente as embalagens (se forem plásticas) têm petróleo na sua composição. O término da sua produção resultaria, então, numa forma totalmente diferente de agricultura. Assistiríamos ao regresso de processos de lavoura mais tradicionais e a uma agricultura de subsistência, porventura mais sustentável, mas sem muitas das regalias a que nos fomos habituando (produtos exóticos, fora de época, etc). A nível pessoal, apesar do impacto inicial, sobreviveria à mudança. Na realidade, não seria mais que um regresso a um estilo de vida semelhante ao que vivi na infância, quando a generalidade dos produtos agropecuários tinham origem na horta familiar ou no mercado local. Pode ser um passado há muito abandonado mas não é um passado esquecido e os conhecimentos para a sua recuperação ainda subsistem. De certa forma, julgo que o fim do petróleo se traduziria no regresso a um estilo de vida mais saudável!

Se continuarmos a listagem (aparentemente interminável) de produtos que dependem da existência do petróleo, uma conclusão inevitável parece saltar à vista: o término da sua produção resultaria no fim de uma série de comodidades a que nos fomos acostumando ao longo dos anos e isso assusta-nos imenso. Uma análise mais aprofundada a esta questão, porém, parece revelar uma outra consequência generalizada: apesar do choque inicial, parece possível que o Homem sem petróleo regresse a um estilo de vida mais sereno, sem a vertiginosa correria que carateriza o mundo contemporâneo. Será apenas um sonho? Em breve saberemos.

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