De acordo com o resultado do questionário disponível em Ecological footprint, a minha pegada ecológica equivale a 2,26 planetas Terra (figura 1). Trata-se de um resultado, de certa forma, surpreendente e algo desanimador, pois permite constatar que apesar das nossas preocupações ecológicas, ainda não fazemos o suficiente e o nosso estilo de vida acaba por sabotar as nossas boas intenções.

Pegada Ecológica
Figura 1: Resultado da análise em Ecological footprint

Relativamente às categorias de consumo (figura 2), observa-se que apenas a coluna relativa à alimentação está acima da média nacional. As restantes categorias revelam os resultados positivos (mas manifestamente insuficientes) das nossas tentativas de adotar um estilo de vida ecologicamente equilibrado.

Assim, a primeira medida a adotar para atingir uma pegada ecológica equivalente a um planeta Terra, será a alteração dos nossos hábitos de consumo alimentar. Para o efeito, teremos que passar a consumir mais alimentos produzidos localmente, dando preferência às aquisições em mercados locais em detrimento das grandes superfícies comerciais.

Pegada ecológica em hectares globais
Figura 2: Pegada ecológica em hectares globais, por categoria de consumo

Ainda na categoria relativa à alimentação, a redução do consumo de alimentos de origem animal, é outra das medidas que precisaremos adotar. Efectivamente, o simples consumo de uma refeição de origem estritamente vegetal por semana, deverá aproximar-nos da média nacional no que a esta categoria diz respeito.

Estes primeiros passos serão, porventura, os mais difíceis, pois no que às restantes categorias diz respeito, precisaremos apenas aperfeiçoar as medidas que temos vindo a tomar ao longo dos anos:

  • Transportes: a utilização de carro próprio está já reduzida a um mínimo praticamente desprezável. Este impacto poderá ainda ser futuramente minorado com a aquisição de um veículo híbrido.
  • Energia: a escolha de eletrodomésticos de elevada eficiência energética e de lâmpadas economizadoras sempre foi uma preocupação, pelo que para além da substituição de uma ou outra persistente lâmpada de halogéneo, pouco haverá onde melhorar. Por outro lado, ainda persiste o costume de manter alguns equipamentos em stand by, o que se trata simplesmente de uma questão de hábito e que deverá ser corrigida.
  • Água: as máquinas de lavar apenas trabalham quando têm a carga máxima, os duches são rápidos e os banhos de imersão muito raros. Haverá, ainda, algum espaço para melhorar esta categoria com a simples instalação de redutores de fluxo, por exemplo.
  • Bens de consumo: a quantidade de resíduos reciclados já é quase total, embora exista ainda alguma margem para melhorar. Na aquisição de novos produtos, no entanto, há várias correções a fazer: a opção por produtos reciclados, com embalagem reduzida, de produção nacional, etc.

Estas medidas, a maioria das quais de adoção muito simples, permitiriam reduzir a nossa pegada ecológica para metade do seu valor atual. Restariam, finalmente, algumas medidas de concretização mais complexa (mas não impossível), de forma a atingir o desejado valor de 1 planeta Terra: a instalação de fontes de energia renováveis (painéis solares) e a produção própria de alguns bens alimentares.

Somos produto do meio em que vivemos. Ainda que as nossas convicções pessoais se reflitam numa teoria de valor mais próxima do biocentrismo, somos fortemente influenciados por uma sociedade de consumo de valores claramente antropocêntricos.

A opção por um modo de vida mais sustentável, porém, não implica um afastamento dos referidos valores antropocêntricos. Efectivamente, se considerarmos a noção de gerações futuras, facilmente se reconhecerá a necessidade de preservar o planeta e os seus recursos. Deste modo, estaremos a reconhecer o estatuto moral de seres humanos (antropocentrismo) e, simultaneamente, a assumir a necessidade de manter a qualidade dos bens naturais que estes irão herdar.

Por outro lado, a adoção de medidas de sustentabilidade ambiental, resultará também num claro benefício do ponto de vista económico. Ainda que seja francamente questionável a adoção destas medidas com esse intuito, na prática apenas importará contabilizar o resultado final, e não os motivos pelos quais se assume este desafio. De qualquer forma, também esta prática comprova a possibilidade de adotar um modo de vida sustentável sem existir um afastamento de uma ética antropocêntrica.

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