As certificações turísticas pretendem funcionar como garantia de qualidade do serviço a que são atribuídas. A certificação ambiental em particular, funciona como um forte atrativo para os utilizadores preocupados com questões de sustentabilidade.

O Parque Natural de Sintra-Cascais ocupa uma área de cerca de 14 500 hectares do distrito de Lisboa, englobando freguesias dos concelhos de Sintra e de Cascais. Foi classificado pelo Decreto-Lei n.º 8/94, de 11 de Março por se tratar de uma área sujeita a uma elevada pressão urbanística e onde é possível encontrar um conjunto de características geomorfológicas, paisagísticas e florísticas de extrema sensibilidade.

Na área deste Parque Natural é possível encontrar uma série de empreendimentos turísticos certificados ou passíveis de obter certificação, dos quais se destacarão alguns.

Bandeira Azul – Blue Flag

A Bandeira Azul é uma certificação atribuída a praias e marinas que observem um rigoroso conjunto de regras no que respeita à qualidade da água, à educação e informação ambiental, à gestão ambiental e à segurança e serviços do local. No ano de 2010 nenhuma das praias da região do Parque Natural de Sintra-Cascais obteve esta certificação, embora esta tenha sido atribuída em anos anteriores.

Em 2009, a Praia do Guincho, a Praia da Crismina e a Praia do Tamariz, todas no concelho de Cascais, obtiveram esta certificação. Se recuarmos até 2008, o número de Bandeiras Azuis hasteadas na região duplica, com a atribuição deste galardão a algumas praias do concelho de Sintra. De acordo com a informação veiculada pelos media, porém, no presente ano estes municípios optaram por não candidatar as suas praias “como forma de protesto contra o processo do concurso e contra a falta de investimentos no litoral” (Diário de Notícias, 6 de Maio de 2010).

Constata-se, deste modo, que a não atribuição da certificação de Bandeira Azul às praias desta região, não se prende com a falta de cumprimento dos critérios exigidos mas antes, a um mero pormenor administrativo. Efectivamente, como refere o comunicado do município de Cascais na notícia citada, os critérios de Informação e Educação Ambiental, Qualidade da Água, Gestão Ambiental e Equipamentos, Segurança e Serviços, não dependem das câmaras, pelo que “o processo de candidatura revela-se absolutamente despropositado e distanciado da realidade”.

Uma vez que do ponto de vista turístico as praias são um dos grandes atrativos desta região, torna-se necessário um pequeno esforço conjunto das administrações locais e central para que este galardão volte a ser justificadamente hasteado.

Eco-Hotel

A certificação Eco-Hotel destina-se a empresas do sector da indústria hoteleira. Pretende a redução dos consumos e custos com a energia e com a água e o cumprimento da legislação ambiental aplicável à atividade desempenhada.

Em pleno Parque Natural, o Hotel Quinta da Marinha Resort apresenta uma política ambiental detalhada na qual se estabelece o objetivo de candidatura à certificação Eco-Hotel, assim como à certificação ISO 14001.

Já na periferia do Parque Natural, em pleno centro de Cascais, localiza-se o Hotel Baía, empreendimento a que foi já atribuída esta certificação internacional.

Apesar de se encontrarem várias unidades hoteleiras de luxo nesta região, os empreendimentos que efectivamente apresentam uma certificação ambiental são uma pequena minoria. A tendência deverá inverter-se nos próximos anos, consoante a procura de sustentabilidade no turismo for aumentando.

Alguns destes empreendimentos não certificados, revelam já algumas preocupações ambientais (sejam elas reais ou meras manobras publicitárias) pelo que é provável que procurem obter esta certificação nos próximos anos. É o caso do Hotel Tivoli Palácio de Seteais cujo grupo apresenta uma política de sustentabilidade e mantém, noutras regiões, alguns empreendimentos já certificados de acordo com as normas ISO 14001.

Europarc – o passo seguinte?

Após a certificação das empresas de turismo a operar na área, o passo lógico a dar será a certificação do destino, no caso presente, o Parque Natural de Sintra-Cascais.

Reconhecendo que a certificação PAN Parks não é apropriada para este espaço, por lhe faltar uma verdadeira área selvagem, parece lógico que a certificação Europarc, atribuída pela Carta Europeia de Turismo Sustentável é a que mais se adequa a esta região. Tendo como objetivo a proteção do património natural e cultural da região e a melhoria contínua do turismo em todas as suas vertentes, esta certificação será, obviamente, uma meta que trará uma série de mais valias à região.

A experiência adquirida noutros Parques Naturais a quem já foi atribuída esta certificação poderá facilitar o processo. Os princípios a seguir de modo a cumprir os objectivos da Carta Europeia do Turismo Sustentável, acabarão por preservar os valores naturais do Parque que levaram à sua criação, pelo que o maior beneficiado com o desencadear deste processo será, em última análise, o próprio parque, mais ainda que os seus visitantes.

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