1. Introdução – a região
De acordo com a divisão administrativa do território nacional para fins estatísticos, o concelho de Alcanena insere-se na sub-região do Médio-Tejo, atualmente considerada na região Centro. Relativamente à atividade agrícola e de dinâmica socioeconómica da região, esta apresenta as características do Grande Território E – Ribatejo e Oeste.

A análise dos relatórios da oferta e da procura de Turismo no Espaço Rural emitidos pelo Turismo de Portugal, revelam, para a região Centro, um aumento progressivo do número de alojamentos em Turismo em Espaço Rural. No ano de 2008, foram contabilizados para esta região, um total de 232 estabelecimentos, correspondendo a 22,2% do total nacional e divididos de acordo com as modalidades:

  • Turismo de habitação: 57 estabelecimentos;
  • Turismo rural: 86 estabelecimentos;
  • Agroturismo: 29 estabelecimentos;
  • Casas de campo: 50 estabelecimentos;
  • Turismo de aldeia: 2 estabelecimentos;
  • Hotel Rural: 8 estabelecimentos.

Ainda de acordo com os mesmos relatórios do Turismo de Portugal, a procura tem vindo a oscilar ao longo dos últimos anos. Em 2007 foram estimadas 123 mil dormidas, o que corresponde a um aumento de 36,6% relativamente a 2006. Em 2008, porém, ocorreu um decréscimo de 11,8%, estimando-se um total de 108 mil dormidas.

 

2. A Coelheira
A Coelheira é uma pequena quinta situada na freguesia de Moitas Venda, no concelho de Alcanena. Insere-se, assim, na região de fronteira entre o Ribatejo e a Serra de Aire e Candeeiros.

A quinta pretende manter e preservar o ambiente rural característico da região nos finais do século XIX. Ali se podem encontrar os muros de pedra típicos da região (Figura 1), um poço que aproveita as águas da encosta e uma eira. Também a criação de animais, “distanciados das casas o suficiente para não incomodar, mas perto o suficiente para nos sentirmos ainda mais no campo”, procura, de forma clara, apelar ao imaginário do rural tal como este é visto pelos turistas.

Figura 1: os muros típicos da região
Figura 1: os muros típicos da região

O estabelecimento dispõe de três Casas de Campo, duas das quais centenárias. Percebe-se, pela sua traça e decoração, uma tentativa de as associar a uma antiga ruralidade. Efectivamente, tanto o mobiliário como a decoração traduzem, de certa forma, um modo de vida do passado (Figura 2 e 3).

Este tipo de infraestruturas reflete, claramente, o tipo de pessoas que procura o Turismo em Espaço Rural: uma população jovem e urbana que deseja distanciar-se temporariamente do rotina quotidiana e do ambiente citadino.
Este tipo de procura, por outro lado, justifica os aspectos de modernidade que ali se podem encontrar de que são exemplo o televisor ou o aquecimento central.

Figura 2: aspeto do interior de uma das casas
Figura 2: aspeto do interior de uma das casas
Figura 3: aspeto do interior de uma das casas
Figura 3: aspeto do interior de uma das casas

 

3. Conclusão
Quer pela sua localização geográfica quer pelas infraestruturas oferecidas, a Coelheira parece oferecer as condições ideais para os “entusiastas rurais calmos” ou para os “simples”. Efectivamente, não se encontram, no local, as comodidades que um segmento mais ativo da população requer (ofertas desportivas, vida noturna ativa, etc). Estaremos, deste modo, perante um segmento de mercado cuja origem é, na sua maioria, oriundo do estrangeiro. A divulgação da unidade através da Internet é uma mais valia considerável para o sucesso deste estabelecimento de Turismo em Espaço Rural. Curiosamente, porém, o seu site não disponibiliza ainda qualquer informação noutro idioma que não o Português.

Uma vez que a procura de espaços de turismo em ambiente rural mantém uma tendência de subida, esta unidade tem francas possibilidades de sucesso, podendo nesta altura, optar por dois caminhos distintos:

  • uma maior aposta na divulgação dos seus serviços, aumentaria a procura pelos “entusiastas rurais calmos”
  • o investimento em novas infraestruturas (desportivas ou recreativas), captaria a faixa de “entusiastas rurais ativos”.

 

Fotos: A Coelheira.

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