A finalidade da EA é desenvolver uma população mundial consciente e preocupada com o ambiente e os problemas com ele relacionados, e que tenha os conhecimentos, capacidades, atitudes, motivações e o sentido de compromisso que lhe permita trabalhar individual e coletivamente na procura de soluções dos problemas ambientais atuais e futuros. (Carta de Belgrado, 1975)

Quando aliamos esta finalidade da Educação Ambiental ao conceito clássico de desenvolvimento sustentável, apresentado em 1987 por Gro Brundtland, “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente, sem comprometer a possibilidade das gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades”, facilmente se compreende a convergência de ideias entre ambos os temas: a noção de que é necessário intervir no presente por forma a evitar os problemas do futuro.

Esta forma de intervenção a tão longo prazo, implica mais que o esforço de uma sociedade: para que dê frutos, requer a dedicação constante de gerações sucessivas. A metodologia lógica para alcançar estes objetivos é, essencialmente, de índole política. Apenas a adoção de políticas pro-ambiente e pro-sustentáveis, que se mantenham estáveis governo após governo e geração após geração, poderá funcionar como fio condutor para que se atinja um desenvolvimento verdadeiramente sustentável.

A realidade, porém, mostra-nos um sistema político demasiado preocupado com o presente e com os resultados a curto prazo (afinal de contas, ainda não serão as gerações do futuro a votar nas próximas eleições).

O papel desempenhado pela Educação Ambiental na formação de uma sociedade civil ambientalmente consciente e participativa, porém, funciona como alavanca para o fomento de uma nova Política Pública, cuja preocupação ambiental ultrapassa o limite da legislatura de uma dada Administração.

A nível local, a cada vez maior exigência dos cidadãos perante a degradação ambiental do seu meio, pressiona os municípios a intervir no sentido de resolução de questões muito específicas, sejam elas a limpeza de um curso de água ou a manutenção de um espaço verde. As Administrações Locais poderão ser, de facto, os principais intervenientes neste tipo de ações onde, em colaboração com a sociedade civil, se poderão dar passos decisivos na melhoria das condições ambientais da sua área.

Os governos centrais, por outro lado, estão sujeitos a pressões muitas vezes conflituosas e contraditórias, estando por isso mais sujeitos a um escrutínio público que pode ser, facilmente, negativo. A adoção de políticas pro-ambientais acarreta, muitas vezes, um custo económico para os intervenientes ou mesmo para a sociedade em geral (tome-se como exemplo a aplicação de impostos mais elevados ou de taxas extraordinárias a produtos potencialmente poluidores).

Neste âmbito, são também de destacar as ações supracionais, de que são exemplos as conferências promovidas no seio das Nações Unidas ou as Políticas Europeias para o Ambiente que, por não estarem sujeitas a um escrutínio público tão imediato, nem se regerem por critérios meramente economicistas, conseguem apresentar soluções globais cuja implementação implica políticas com objetivos a longo prazo.

Apesar de assistirmos, nos últimos anos, à transposição destas diretivas supranacionais para as legislações nacionais, fica-se com a ideia de que muitas delas não passam de “letras num papel”, sem resultados práticos reais. O recente reconhecimento de que o plano de ação europeu para travar a perda de biodiversidade até 2010 fracassou, é um exemplo tão claro como preocupante…

Cabe à Educação Ambiental consciencializar e incentivar os cidadãos a intervir. É urgente uma sociedade que rejeite as políticas que apostam em lucros imediatos à custa do ambiente e da destruição dos recursos naturais. É urgente uma sociedade que proponha soluções e apoie uma nova forma de fazer política, apostando no futuro e olhando para além dos seus próprios interesses pessoais.

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