Em 1975, na sequência do workshop sobre Educação Ambiental a decorrer em Belgrado, é elaborada a Carta de Belgrado sobre a Educação Ambiental. Este documento reconhece a necessidade de instituir uma nova ética universal que, à luz duma nova reflexão sobre as relações do ser humano com o seu semelhante e com a Natureza, inspire um novo ideal, baseado numa repartição equitativa das reservas, colocando a melhoria da qualidade de vida das populações acima dos interesses económicos.

Este novo olhar sobre as relações do Homem com a Natureza e com o seu semelhante, reflete a necessidade de uma educação para o desenvolvimento sustentável, defendido no relatório O Nosso Futuro Comum, de Gro Brundtland:

O Futuro dos nossos filhos depende da nossa capacidade de aprendermos a viver em harmonia com a Natureza e com os outros. Desenvolvimento equilibrado quer dizer que não podemos continuar a satisfazer as nossas próprias necessidades à custa das gerações futuras.

Por forma a atingir os seus objetivos, porém, a Educação Ambiental precisa transmitir mais que um mero conhecimento científico sobre o Ambiente: é necessário motivar e fomentar um sentido de participação cívica que desencadeie a vontade de trabalhar individual ou coletivamente por forma a resolver os problemas ambientais do presente e evitar os do futuro. Estamos, assim, no domínio da educação cívica.

Efectivamente, os objetivos da Educação Ambiental, só poderão ser atingidos através de uma abordagem interdisciplinar. É necessário transmitir a noção de que o Ambiente está presente em todas as facetas da sociedade. A nível da educação formal, essa ideia deverá ser transmitida recorrendo a todo o currículo académico, não restringindo a Educação Ambiental às disciplinas de teor científico.

Chegará o momento em que uma nova geração, acompanhada pela Educação Ambiental desde a infância, irá gerir o Planeta de acordo com o Princípio da Sustentabilidade. Não se tratará, então, de uma imposição de um governo ou da pressão de um grupo. A gestão sustentável dos recursos surgirá naturalmente, fruto de anos de Educação Ambiental, assim como a gestão economicista que hoje nos rege, surgiu de uma educação que sugeria a ideia de que a riqueza material traria a felicidade e resolveria todos os problemas do Mundo…

Os primeiros passos já foram dados e os resultados desta Educação começam a surgir de forma discreta mas segura – a crescente adesão da população às associações de defesa do ambiente e a tomada de consciência de que um ambiente saudável é um direito de todos e de cada um, pelo qual se deve lutar, são disso exemplo.

Outros sinais, porventura não tão mediáticos mas não menos importantes, são bem notórios e esclarecedores do percurso que, pouco a pouco, agora se inicia.

A separação e reciclagem de resíduos domésticos, é hoje uma realidade que seria impensável há alguns anos. O principal obstáculo a ultrapassar não foi material ou tecnológico! A dificuldade foi convencer a população que os atos individuais têm uma importância global. Substituir o típico pensamento “o que posso eu fazer sozinho para mudar as coisas?” pela ideia de que cada um de nós pode contribuir individualmente para um ambiente melhor terá sido, porventura, uma das primeiras grandes vitórias da Educação Ambiental.

Curiosamente, o caso da separação e reciclagem, permite-nos ainda observar a evolução da Educação Ambiental e do seu impacto nas diferentes gerações. Neste caso em particular, é notório um maior sentimento de dever nas gerações mais novas, precisamente aquelas que foram educadas nesse sentido desde cedo.

Outras iniciativas, de que é exemplo a recente Limpar Portugal, revelam outra vertente e demonstram de forma clara, outro resultado da Educação Ambiental. Uma participação cívica deste género é inovadora no sentido em que demonstra como os cidadãos começam a compreender, finalmente, que são também responsáveis pelo Ambiente e que podem zelar por ele em conjunto, independentemente das ações do Estado.

São apenas dois exemplos que revelam os primeiros sinais de resultados efetivos da Educação Ambiental. No futuro, estes dever-se-ão multiplicar, alterando profundamente a sociedade em que vivemos. Aos poucos, o Homem tomará consciência de que a sua felicidade não é conquistada pela riqueza material, mas sim pela riqueza natural que o envolve. Passo a passo, a Educação Ambiental revelará a necessidade de fraternidade entre os povos – na realidade, o desenvolvimento sustentável assim o exige e a Educação Ambiental é o método de o conseguir.

Na luta pela sobrevivência do Ambiente, a Educação Ambiental está a tentar algo que inúmeras religiões e impérios tentaram ao longo de milénios sem sucesso: unir os povos da Terra na preservação de um interesse comum, conquistando, pelo caminho, a paz, o progresso e o bem-estar de todos.

Oxalá consiga.

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