Durante o século XVII, a “filosofia natural” foi-se transformando, gradualmente, em Ciência. Vários acontecimentos contribuíram para esta transformação mas, no essencial, este foi um período em que, da mente dos primeiros cientistas emergiram várias ideias novas, assumindo, muitas delas, um corte radical com as afirmações do passado. O método científico da experimentação começa a assumir-se, finalmente, como forma de conhecer o mundo que nos rodeia.

Robert Hooke, foi um destes naturalistas. Embora, como membro da Royal Society, tenha intervido em diversos campos da ciência é com a publicação, em 1665, da sua obra Micrographia que Hooke efectivamente inova no campo das ciências naturais.

Na sua obra, Robert Hooke vai muito além da descrição das suas observações. A explicação detalhada e ilustrada do funcionamento do seu microscópio é uma parte fundamental do livro. Para que outros cientistas pudessem comprovar, por si, as afirmações de Hooke, este fornece aos leitores toda a informação necessária para chegarem aos seus próprios resultados (fig. 1).

Figura 1 - Microscópio de Hooke
Figura 1 – Microscópio de Hooke

Esta forma de fazer ciência é, em si mesma, uma profunda ruptura com o passado. Até então, não só o saber escolástico era inquestionável, como era restrito. Os filósofos do passado não sentiam necessidade de justificar experimentalmente os seus resultados e só transmitiam o conhecimento a um grupo restrito de “escolhidos”.

As suas belíssimas ilustrações do mundo microscópico (fig. 2), não só abriram caminho ao desenvolvimento da Microbiologia, como foram precursoras das explicações a uma série de questões estruturantes da Biologia, nomeadamente da célula como unidade estrutural de todos os seres vivos.

Figura 2: Estrutura da cortiça, observada por Hooke
Figura 2: Estrutura da cortiça, observada por Hooke

Deste modo, a obra de Hooke e as suas observações, quer no campo da Astronomia quer da Biologia, chegaram a um público que seria impensável atingir numa época anterior. As ilustrações permitiriam, não só aos cientistas, a possibilidade de comprovar os resultados do autor, como dariam ao leitor comum, a oportunidade de conhecer um novo mundo que, de outra forma, lhe estaria vedado.

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