O Monte de Santa Helena e as montanhas vizinhas, inserem-se na Cordilheira Vulcânica das Cascatas, situada no noroeste dos Estados Unidos. Nesta região, o contacto convergente entre a placa Juan de Fuca, progressivamente sobreposta pela placa Norte Americana, gera uma zona de subdução responsável pelo aparecimento deste grupo de vulcões.

Num âmbito mais global, podemos incluir esta cadeia vulcânica no Círculo de Fogo do Pacífico, uma extensa área vulcânica que circunda o limite da placa do Pacífico e que inclui mais de 75% dos vulcões existentes no planeta.

Consoante a placa Juan de Fuca mergulha sob a placa continental, quer o calor gerado pela fricção das placas, quer a adição da água presente na placa oceânica, contribuem para facilitar a fusão do material mantélico. A lava assim formada pode variar substancialmente em composição e, consequentemente, em viscosidade, o que se tem vindo a traduzir em distintos episódios eruptivos, como se comprova pelo estudo das camadas que constituem este aparelho vulcânico.

Quando, em 18 de Maio de 1980, e após uma fase premonitória de cerca de dois meses, caraterizada pela ocorrência de inúmeros tremores de terra e pela deformação da face Norte do cone vulcânico, um sismo de magnitude 5,1 despoletou uma enorme avalanche que sujeitou o magma a uma brusca redução de pressão, deu lugar a uma violenta erupção do tipo explosivo peleano.

Uma lava viscosa, rica em sílica (63,5% de SiO2) – dacite, e em vapor de água, terá sido a principal responsável por esta erupção. A fraca fluidez deste tipo de magma, possibilita uma grande acumulação de material ao longo e em redor da conduta vulcânica e impede, simultaneamente, uma libertação faseada dos gases presentes no banho magmático, o que contribui para um aumento de pressão.

A entrada de novo magma na câmara, possivelmente mais pobre em sílica, terá finalmente aumentado a pressão ao ponto de desencadear a instabilidade que culminou com esta erupção.

Deste modo, poucos segundos após o sismo ter desencadeado a avalanche, toda a energia acumulada no interior se pode finalmente libertar. Uma violenta escoada piroclástica que deverá ter ultrapassado os 1000 km/h, rapidamente ultrapassou a frente da avalanche, derrubando todas as árvores num raio de 13 km. Mais de 30 km para além do ponto zero, a generalidade das árvores acabou também por perecer, se não pelo impacto direto, pelo calor intenso que a nuvem ardente transmitiu.

Finalmente, uma pluma eruptiva elevou-se 19 km acima da cratera, lançando tefra na estratosfera e provocando queda de cinza vulcânica em onze Estados.

Após este período de atividade explosiva, o Monte de Santa Helena regressou, em 2004, a uma fase efusiva, com escoadas lávicas lentas, que sugerem ainda um magma de composição semelhante ao de 1980. Estas escoadas, têm vindo a formar uma doma que, lentamente (mas rapidamente, do ponto de vista geológico), tem vindo a preencher a enorme cratera formada após a erupção explosiva.

Esta alternância de fases explosivas e efusivas, resulta no cone vulcânico característico de um estratovulcão, formado por níveis lávicos intercalados com níveis de tefra e cinza vulcânica libertadas durante as fases explosivas.

Após a erupção de 1980, foram tomadas medidas pelo Congresso Norte Americano, no sentido de monitorizar toda a cordilheira vulcânica, de forma a garantir um eficaz sistema de alertas públicos. Tratando-se, porém, de uma região relativamente isolada, o risco de efeitos primários nas populações, será certamente reduzido quando comparado com outros pontos do globo. A violência e as consequências da erupção de 1980, demonstram, no entanto, que a área afetada pode ir centenas de quilómetros para além da cratera vulcânica.

O impacto económico da devastação florestal, o prejuízo provocado pelas cinzas vulcânicas, quer na qualidade de vida, quer na saúde das populações e, finalmente, as potenciais alterações climáticas provocadas pela presença de cinzas vulcânicas na estratosfera, são consequências que se podem prever, mas que dificilmente se poderão evitar!

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