O granito resulta da solidificação do magma a grandes profundidades (rocha magmática plutónica). As rochas que o envolvem, impedindo a libertação do calor, não permitem um rápido arrefecimento do magma, retardando a sua solidificação. Desta forma, os minerais que o constituem têm o tempo necessário para se desenvolver, apresentando-se assim, esta rocha, com uma textura granular em que os minerais constituintes são bem visíveis e identificáveis: o quartzo, os feldspatos (ortoclase, sanidina e microclina) e as micas (biotite e moscovite).

Cristais de quartzo. Fotografia de Didier Descouens.
Cristais de quartzo. Fotografia de Didier Descouens.

O quartzo pertence à classe dos silicatos e ao grupo dos tectossilicatos. Este mineral cristaliza no sistema trigonal (classe trapezoédrica trigonal). A sua forma ideal seria a de um prisma de 6 lados, terminando com uma pirâmide de 6 lados em cada extremo. Obviamente, na natureza é habitual os cristais surgirem distorcidos, seja em crescimento paralelo ou em maclas, revelando apenas parte da sua estrutura cristalina.

Ortoclase. Fotografia de Rob Lavinsky.
Ortoclase. Fotografia de Rob Lavinsky.

A ortoclase pertence à classe dos silicatos e ao grupo dos tectossilicatos e cristaliza no sistema monoclínico (classe prismática). Surge na forma de prismas tubulares, por vezes de grande tamanho. É comum na forma de cristais maclados.

Biotite. Fotografia de Rob Lavinsky.
Biotite. Fotografia de Rob Lavinsky.

A biotite pertence à classe dos silicatos e ao grupo dos filossilicatos. Este mineral cristaliza no sistema monoclínico (classe prismática) e surge na forma de cristais tubulares ou prismáticos.

Seja por ação da erosão, do clima ou dos movimentos tectónicos, as massas graníticas acabam por atingir a superfície. Durante este processo, porém, a rocha sofreu já uma série de pressões que a fragilizaram, apresentando inúmeras fraturas (diaclases). Estas falhas, por sua vez, permitem a infiltração de água, solo ou resíduos orgânicos no seio da rocha, acelerando a sua meteorização.

A presença da água revela um papel fundamental. Seja por hidrólise, hidratação ou funcionando simplesmente como veículo para a propagação de seres vivos que, por sua vez, irão alterar as propriedades químicas do meio, é a água, a principal responsável pela alteração do granito.

A hidrólise consiste na reação entre os iões H+ da água e as estruturas minerais, resultando no deslocamento dos catiões destes. Dependendo das condições ambientais, e uma vez que a água funciona como meio de evacuação da sílica, esta forma de meteorização pode ocorrer de diferentes formas.

A arenização, que é um caso particular de bissialitização é um fenómeno típico das regiões temperadas. Consiste numa hidrólise moderada dos silicatos e na evacuação parcial dos produtos de alteração. Conservando a estrutura da rocha primitiva, os seus constituintes minerais são progressivamente desagregados e alterados, tornando-se a rocha cada vez mais porosa, o que acelera, gradualmente, o processo.

Um a um, consoante o seu grau de susceptibilidade, baseado nas suas diferentes características químicas, cristalográficas e termodinâmicas, os vários minerais que constituem o granito, vão dando origem a outros.

A biotite, irá dar origem a vermiculite, um filossilicato que cristaliza no sistema monoclínico prismático. Surge na forma de uma argila escamosa.

A ortoclase, dá lugar à caulinite, através de um processo de hidrólise chamado caulinização. Este mineral secundário, trata-se de um filossilicato que cristaliza no sistema triclínico pedial. Também ele consiste num tipo de argila.

O quartzo, por não possuir iões facilmente dissociáveis, é deixado para trás, após os feldspatos e as micas terem já desaparecido. Com a ação do tempo, dos processos químicos mais demorados ou por simples desgaste físico, também a sua resistente estrutura cristalina se irá desagregar.

Blocos graníticos de Monsanto
Blocos graníticos de Monsanto

This Post Has 12 Comments

  1. Muito bom, adorei!!!!!

  2. me ajudou muito no trabalho de geografia!

  3. ajudou me no trabalho de ciencias naturas

  4. Obrigado me ajudou no trabalho de ciências ;)

  5. obrigada, me ajudou em pesquisa sobre rochas

    1. também a mim, tive um trabalho de férias sobre rochas , e me ajudou bastante

  6. adoro este site me ajuda BASTANTE nos trabalhos de CN

  7. Legal! sou pesquisador neófito em cristais e a matéria acrescentou muito para mim… Grato por tê-la criado!!!

  8. Muito bacana mesmo!! Eu só não entendi muito bem por que elas não podem ser formadas em placas oceânicas. Alguém poderia me ajudar?

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