Os seres humanos apresentam uma reprodução sexuada, que se traduz na ocorrência da meiose – divisão celular que reduz a metade o número de cromossomas típico da espécie, e da fecundação – fusão das células haplóides de dois indivíduos distintos que resulta em descendentes geneticamente diferentes dos seus progenitores e diferentes entre si.

Entre as várias teorias que pretendem explicar o processo que levou a espécie humana à conquista da Terra, destacam-se a hipótese multirregional e a hipótese da origem única. A primeira teoria defende a evolução paralela da espécie, em vários locais em simultâneo, a partir de um antepassado remoto que teria deixado África há 2 milhões de anos. A teoria da origem única, por outro lado, defende que a Humanidade descende de um único e pequeno grupo de Homo sapiens que teria deixado África há apenas 50.000 anos.

Os mais recentes estudos da genética humana parecem confirmar a teoria da origem única. A análise do ADN mitocondrial em particular, veio demonstrar que todos os seres humanos hoje vivos, descendem de uma mulher que viveu em África há 150.000 anos – a Eva Mitocondrial.

Divergência do ADN mitocondrial. Fonte: wikipédia
Divergência do ADN mitocondrial. Fonte: wikipédia

 

Os primeiros humanos modernos, terão aparecido em África há menos de 200.000 anos, após um longo processo evolutivo que culminou no aparecimento de várias espécies do género Homo. Durante alguns milhares de anos, estes ramos terão evoluído em paralelo, constituindo populações isoladas entre si.

Enquanto o Homo neanderthalensis ocupa a Europa e o Homo erectus se dissemina pela Ásia, a nossa espécie ocupa o continente Africano.

A análise do ADN das várias etnias da atualidade demonstrou uma maior variabilidade nas populações Africanas, o que prova a sua ancestralidade em relação aos Caucasianos ou Asiáticos.

Ao longo da evolução dos seus antecessores, este grupo de primatas foi reduzindo a pilosidade corporal típica dos mamíferos, apresentando agora uma pele nua, certamente vantajosa em termos de termorregulação, mas potencialmente perigosa no que à exposição solar diz respeito. Assim, esta inicial população africana, por meio de um processo de seleção natural que teria favorecido os indivíduos com mais elevados níveis de melanina, apresentaria, muito provavelmente, uma pele escura.

Há cerca de 50.000 anos, em busca de alimento, de climas mais amenos ou movidos por qualquer catástrofe natural (ver caixa), um pequeno grupo de Homo sapiens terá abandonado o continente Africano em direção à Ásia.

De acordo com a teoria da catástrofe de Toba, há cerca de 70.000 anos terá ocorrido uma gigantesca erupção num vulcão de Sumatra. Este acontecimento terá provocado súbitas alterações climáticas que tiveram como consequência uma drástica diminuição da população de hominídeos. Este estrangulamento evolutivo poderá ter agido como catalizador para a migração humana.

Esta mudança de habitat, terá levado, inevitavelmente, a uma adaptação às novas condições encontradas e a uma seleção direcionada, típica dos processos migratórios.

As mutações favoráveis que permitissem uma melhor absorção de luz a diferentes latitudes alastram pela população ao longo das gerações. A cor da pele, o fenótipo mais facilmente observável, varia assim, consoante a exposição solar a que estão sujeitos os novos habitats ocupados pela espécie.

Para outras adaptações, como a estatura média de determinada população ou outras pequenas características físicas, podemos encontrar explicações semelhantes.

Apesar de se tratar de uma espécie muito jovem, é já possível encontrar, ao longo do seu percurso, os efeitos da seleção natural. As adaptações aos diversos ambientes que foi encontrando, embora possam ser consideradas mínimas em termos genotípicos, foram passos fundamentais para que o ser humano conquistasse e sobrevivesse nos mais remotos recantos do planeta.

A par desta microevolução da espécie, o Homo sapiens está também sujeito a uma importante evolução cultural que, em última análise, será ela própria um agente condicionador da evolução biológica.

Encontramos, pela primeira vez na história da vida na Terra, uma espécie que adapta o ambiente que o rodeia às suas próprias necessidades. Será, porventura, demasiado cedo para prever as consequências, em termos evolutivos, deste tipo de controlo do meio, mas este será, decididamente, um dos fatores de peso na evolução da espécie.

De igual modo, o excesso populacional, a possibilidade de manipulação genética dos indivíduos, o sedentarismo e a cosmopolização da espécie são alguns de entre inúmeros fatores a ter em conta relativamente ao futuro do género Homo.

Muito recentemente, desde há meio milhar de anos, esta espécie conseguiu uma tal facilidade de migração entre os vários pontos do planeta que é previsível uma diluição dos caracteres fenotípicos que surgiram durante os últimos milhares de anos. Consoante aumenta a facilidade de movimento ao longo da Terra e se quebra o isolamento das populações, menos relevantes se tornam as características geográficas. Voltando ao fenótipo relativo à cor da pele, não será porventura de surpreender se daqui a alguns milhares de anos, subsistir apenas uma cor, algures num valor intermédio entre a diversidade que hoje existe.

Neste planeta em constante mudança, a adaptação ao meio é um processo inexorável. A aleatoriedade introduzida no processo hereditário através da combinação genética das células germinais dos progenitores fornece o modo. A seleção dos indivíduos mais aptos faz correr o processo. Não é uma ação consciente, nem percetível para os indivíduos ou para os seus descendentes. As populações, porém, evoluem.

O Homo sapiens, como espécie cosmopolita, está sujeito a uma especiação simpátrica. Daqui por alguns milhões de anos, o Homem tal como o conhecemos terá dado lugar a uma nova espécie. A reprodução entre esses seres do futuro e os humanos atuais seria impossível. Se porventura, ao longo desse período de tempo, algumas populações mantiverem o isolamento, tal como acontece hoje com algumas tribos remotas, e partindo do principio que estas não se extinguem, estaremos perante uma especiação geográfica, e aí, uma vez mais, o planeta será povoado não por uma, mas por várias humanidades vivendo em paralelo.

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