Todos os seres vivos conhecidos pelo Homem, desde as mais pequenas bactérias (Mycoplasma sp.) à maior das árvores (Sequoiadendron giganteum (Lindl.) J.Buchh.), partilham uma origem comum. Esse ancestral parentesco, reflete-se nas semelhanças microscópicas que encontramos entre todos eles. Apesar da imensa variedade de espécies, e da miríade de células que as constituem, são mais marcantes as suas semelhanças que as suas diferenças.

A diferente estrutura e grau de complexidade das células, permite-nos classificá-las em dois grupos distintos: as células procariotas, cujo DNA não se encontra revestido por uma membrana e as células eucariotas, mais complexas e que apresentam sistemas membranares intracelulares.

Os seres procariotas, representados pelos domínios Bacteria e Archaea, são organismos unicelulares simples, cujo DNA se encontra em suspensão no citoplasma. Na ausência de organelos membranares, é possível, em determinados casos, observar invaginações da membrana celular que, penetrando no citoplasma, originam estruturas, denominadas mesossomas, capazes de manter algumas funções equivalentes às dos organelos presentes nas células eucariotas.

Nos seres eucariotas (animais, plantas, fungos e protistas), as células encontram-se organizadas de forma mais complexa, apresentando estruturas internas protegidas por membranas intracelulares, capazes de realizar funções específicas. Estes organelos permitem a realização simultânea de diferentes processos celulares, com ganhos óbvios em termos de eficiência.

(Fonte da imagem: wikipédia)

A principal característica das células eucariotas, é a presença do núcleo [2]. É este o maior organelo presente na célula, e consiste num compartimento, delineado por uma membrana, que alberga a informação genética. O seu DNA é mais complexo que o observado nas células procariotas, apresentando-se organizado em cromossomas, associados a proteínas.

Possivelmente, o aparecimento deste tipo de células, deu-se através da evolução das células procariotas mais simples. Podemos explicar o aparecimento de muitos dos organelos presentes neste tipo de células como o melhoramento, aumento de complexidade e multiplicação das invaginações membranares atrás mencionadas. Assim terão surgido o retículo endoplasmático [5 – retículo endoplasmático rugoso e 8 – retículo endoplásmico liso] (responsável pela síntese de lípidos e de proteínas), o complexo de Golgi [6] (recebe, modifica e distribui moléculas através de vários locais da célula), os lisossomas [12] (depósitos de enzimas digestivos, funcionando como locais de reciclagem) e os vacúolos [10] (locais de armazenamento de compostos variados).

A Teoria da Endossimbiose, propõe que alguns organelos (nomeadamente os cloroplastos – responsáveis pela fotossíntese, e as mitocôndrias [9] – responsáveis pela síntese de ATP), tenham a sua origem em seres procariotas autotróficos que teriam vivido em simbiose dentro de outro organismo unicelular. Estes seres, teriam sobrevivido a um processo de endocitose, acabando por ser incorporados no citoplasma. As suas capacidades particulares, teriam sido, inquestionavelmente, uma mais valia para os organismos que os tivessem incorporado, permitindo-lhes, por exemplo, sobreviver em ambientes que de outro modo, lhes seriam hostis.

A diversidade de células que podemos encontrar na Natureza, fruto da sua especialização, levada a cabo por milhões de anos de evolução, não esconde, no entanto, a existência de uma unidade estrutural e funcional, comum a toda a Vida. Esta unidade, resulta do processo pelo qual as novas células se formam: divisão de células pré-existentes. Assim, como blocos fundamentais nos quais se molda a vida, as células são, em última análise, responsáveis pela perpétua transmissão da informação genética desde os tempos primitivos até aos nossos dias. Mais do que os tijolos pelos quais a Vida se constrói, talvez possamos afirmar que a célula é também a sua zelosa guardiã, garantido, de geração em geração, o perpetuar da única informação realmente importante: “crescei e multiplicai-vos”.

 

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