Tal como sucede com todas as libélulas, a Cordulegaster boltonii (Donovan, 1807) tem uma longa fase do seu ciclo de vida no estado larvar, em meio aquático. Durante este período, que pode durar entre 2 a 5 anos, esta espécie é um temível predador, alimentando-se de outros insetos, girinos ou mesmo pequenos peixes.

Uma vez atingido o seu desenvolvimento completo, a ninfa sobe à superfície trepando pela vegetação aquática e, aí, tem lugar uma transformação radical, emergindo o adulto do exoesqueleto da larva.

Obviamente, durante este período o animal está completamente indefeso e sujeito aos predadores, pelo que este processo tem, por norma, lugar à noite. Neste dia, de manhã cedo, tive a sorte de assistir ao desenlace desta brutal transformação.

Cordulegaster boltonii emergindo, às 09h27m

 

Cordulegaster boltonii emergindo, às 09h30m

Ao longo de cerca de uma hora, o inseto batalha pela sua nova vida. Uma vez concluído este “renascimento”, precisará esperar mais um par de horas. Enquanto as asas endurecem e se esticam, mantém-se a sua fragilidade e os perigos ainda espreitam.

Cordulegaster boltonii emergente, às 09h45m

 

Cordulegaster boltonii
À “casca”, deixada para trás, dá-se o nome de exuvia.

 

Cordulegaster boltonii emergente, às 09h55m

 

Cordulegaster boltonii emergente, às 11h30m

 

Uma vez finalizado o processo, porém, o predador aquático dá lugar a um predador dos ares e os insetos da área, sejam eles moscas, abelhas, borboletas ou mesmo outras libélulas, não estarão em segurança.

Após um período que se prolonga durante 10 dias (fase teneral), a libélula atingirá a maturidade sexual. Uma vez encontrada a companheira e assim garantida a próxima geração, terá fim esta curta fase da sua vida. Os ovos, entretanto, já foram depositados no substrato de alguma ribeira ali por perto e aguardam…

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